Último dia do ano e a percepção de que é igual aos outros. Nenhuma fato extraordinário, nem mesmo um céu de cor diferente. É nesse novo ano que os novos desejos e promessas aparecem. Desejos de paz, promessas de mudar. É nesse novo ano que aparecem desejos de um ano melhor e maior, de alegrias e histórias para contar. É nesse novo ano que eu, em minhas inutilidades de todo fim de ano, desejo apenas um mundo novo, cheio de paz e nenhuma promessa, pois promessas levam a ilusões e nenhuma ilusão é construtiva. É nesse novo ano que virão novos amores, novos sabores, novos dias, dias de uma vida. Novas histórias, novos risos, novos sorrisos, novas primaveras e verões. Virão felicidades e decepções, tranquilidade e angústias, mas isso só depende de a vida ser devidamente vivida. Que esse não seja um ano de promessas, que ele não fique apenas no papel. Que esse ano novo seja repleto de novos dias e, principalmente, de novos invernos, pois ninguém vive apenas do calor do momento. E que esse seja um ano memorável, pois o mesmo que desejo a mim, desejo a você em dobro. E mesmo quando a virada do ano passar, estarei pensando em você e desejando tudo outra vez, em todos os novos dias que virão.
às
16:44
Último dia do ano e a percepção de que é igual aos outros. Nenhuma fato extraordinário, nem mesmo um céu de cor diferente. É nesse novo ano que os novos desejos e promessas aparecem. Desejos de paz, promessas de mudar. É nesse novo ano que aparecem desejos de um ano melhor e maior, de alegrias e histórias para contar. É nesse novo ano que eu, em minhas inutilidades de todo fim de ano, desejo apenas um mundo novo, cheio de paz e nenhuma promessa, pois promessas levam a ilusões e nenhuma ilusão é construtiva. É nesse novo ano que virão novos amores, novos sabores, novos dias, dias de uma vida. Novas histórias, novos risos, novos sorrisos, novas primaveras e verões. Virão felicidades e decepções, tranquilidade e angústias, mas isso só depende de a vida ser devidamente vivida. Que esse não seja um ano de promessas, que ele não fique apenas no papel. Que esse ano novo seja repleto de novos dias e, principalmente, de novos invernos, pois ninguém vive apenas do calor do momento. E que esse seja um ano memorável, pois o mesmo que desejo a mim, desejo a você em dobro. E mesmo quando a virada do ano passar, estarei pensando em você e desejando tudo outra vez, em todos os novos dias que virão.
26 dezembro 2011
Novos dias
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Renata F.
Último dia do ano e a percepção de que é igual aos outros. Nenhuma fato extraordinário, nem mesmo um céu de cor diferente. É nesse novo ano que os novos desejos e promessas aparecem. Desejos de paz, promessas de mudar. É nesse novo ano que aparecem desejos de um ano melhor e maior, de alegrias e histórias para contar. É nesse novo ano que eu, em minhas inutilidades de todo fim de ano, desejo apenas um mundo novo, cheio de paz e nenhuma promessa, pois promessas levam a ilusões e nenhuma ilusão é construtiva. É nesse novo ano que virão novos amores, novos sabores, novos dias, dias de uma vida. Novas histórias, novos risos, novos sorrisos, novas primaveras e verões. Virão felicidades e decepções, tranquilidade e angústias, mas isso só depende de a vida ser devidamente vivida. Que esse não seja um ano de promessas, que ele não fique apenas no papel. Que esse ano novo seja repleto de novos dias e, principalmente, de novos invernos, pois ninguém vive apenas do calor do momento. E que esse seja um ano memorável, pois o mesmo que desejo a mim, desejo a você em dobro. E mesmo quando a virada do ano passar, estarei pensando em você e desejando tudo outra vez, em todos os novos dias que virão.Que em 2012 caiba todos os seus sonhos!
às
23:40
21 dezembro 2011
Constante
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Renata F.
É dezembro chegando, árvores de natal enfeitando as vistas de um mundo mais feliz e as pessoas querendo mudar. Mudar é, constantemente, uma busca, um referencial, algo no que se fixar quando nada mais aparece, por hora. E quando chega o natal e o ano novo... e muitas pessoas "mudando". Mas ninguém precisa de listas (apenas) para o novo ano que chega ou de resoluções (apenas) de fim de ano. Refletir sobre as escolhas em uma única noite não muda o fato de você não ter refletido quando deveria. Pensar no que deveria ter feito para ajudar uma pessoa não muda o fato de que você não o fez. Nada disso traz seus dias de volta. O tempo permite sempre segundas chances, mas nenhuma ajuda para mudar ajuda se dura apenas algumas horas ou dias. Mudar não é para uma madrugada ou para um novo número. Se é para mudar, que seja todos os dias, não importa a data, não importa a hora, só seja agora e por você.
às
23:02
09 dezembro 2011
Voz do infinito
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Renata F.
Silêncio é a voz da dor,
corrente presa nos braços do amor;
é a saudade que insiste no peito,
é a alegria escondida em um beijo suspeito.
Silêncio é a alma do grito contido,
um coração que aprende no castigo;
é o gosto sutil do infinito,
é o meu lugar no abrigo.
às
21:49
Porto da saudade
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Renata F.
Tudo não passa de um porto. Um porto em preto e branco, gasto pelo tempo, inútil — desses que não levam mais ninguém, apenas devolvem lembranças.
Os bancos são os mesmos.
Os rostos, quase.
Nem os problemas se deram ao trabalho de mudar.
Caminho devagar, arrastando os passos por aquele lugar saturado de histórias. Cada canto guarda um enredo: ali, perto do cais, casais se desfaziam em discussões antes da partida — às vezes era ele que ia, às vezes ela. Mais adiante, um banco de madeira, torto e esquecido, ainda ocupa o exato lugar onde dois amantes costumavam se encontrar, como se esperasse, teimoso, por mais um abraço que nunca vem.
E eu me pergunto quando foi que esse espaço pequeno se tornou tão vasto de sentimentos, tão denso de ausências, tão cheio de coincidências que machucam.
Ah… o porto da saudade.
Tão fácil de reconhecer — do píer ao cais, tudo carrega o mesmo peso invisível. Foi daqui que uma vida partiu. E é aqui que permaneço, com lugar marcado num vazio silencioso, condenado à espera.
Espero.
E espero.
E espero.
O cansaço vem como maré alta.
E tudo o que eu quero é a vida que aquele navio levou — a mesma que ainda resiste, intacta, numa fotografia em preto e branco, pendurada na parede do meu coração.
às
15:43
03 dezembro 2011
Princesa
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Renata F.
Ao olhar para o céu, a noite fria já havia enfeitado as nuvens; a noite já havia se instalado com sua frieza serena, adornando as nuvens como quem veste um véu antigo. A lua, pálida e distante, dissolvera os contos de fada que o dia havia ensaiado — e, ainda assim, nada parecia conter a coragem súbita das estrelas, que insistiam em brilhar como se o amanhã não lhes fosse prometido.
Houve um tempo em que a lua me era íntima. Sua luz prateada me acolhia, desenhava caminhos suaves e me devolvia sorrisos que eu nem lembrava ter perdido. Mas, agora, as noites se estendem longas e densas — sem cor, sem calor, sem qualquer vestígio de vida.
Essas noites enganam os distraídos. Há quem as veja apenas como um lençol escuro lançado sobre o mundo, uma pausa silenciosa entre dois dias. Gente que não percebe o quanto nelas pulsa uma ambiguidade invisível — o mesmo escuro que assistiu ao nascimento da luz.
Essas noites também perseguem os sensíveis. Aqueles que não suportam o peso do escuro, que desejam apenas o céu aberto, claro, compreensível. Aqueles que se desfazem na ausência de vento, que se perdem quando tudo silencia demais.
E, ainda assim, há algo nelas que permanece.
Algo que não cede, que não desaparece, que não pede permissão para existir. Porque as noites não vieram para consolar — vieram para revelar. Para nos colocar diante do que evitamos ver à luz do dia. A noite pode parecer infeliz, pode parecer não ter vida — mas, às vezes, é justamente o que nos devolve a nós mesmos. E as noites sabem disso.
Por isso não partem.
Por isso resistem.
Porque, no fim, até as princesas — com todos os seus sonhos intactos — ainda precisam da escuridão para que o brilho de suas histórias faça sentido.
às
00:01
01 dezembro 2011
Olhos de vidro
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Renata F.
O tempo não para quando a gente quer. Também não perdoa nossos erros, nossos traços, nossos abraços ou nossos desencontros — os minutos simplesmente existem, alheios às horas que tentamos contar. O tempo não nos leva aonde queremos; não deixa de existir por capricho; não faz o que a gente quer. Não escolhe o que traz, assim como não nos mostra o que poderia ter sido. O tempo se faz medonho, impaciente. Brinca, esconde-se, reaparece. Faz ameaças ao coração e à alma que vacila. Não faz promessas, nem exige de nós o mesmo que exigimos dele. É caótico, poderoso, imutável. Às vezes, sufoca. O tempo não tem paciência para esperar a boa vontade de um sentimento. Faz redemoinhos em nossa vida — traz o sofrimento, a dor, a destruição. Mas também traz a cura. A cura... ainda que demore, chega. Ela renova, renova-nos, renova-se. Nunca foi visto o trem que levou embora o tempo. Tampouco o que levou o sofrimento, a dor, a destruição. Para qual lado ir quando as estradas se desfazem ao longo das nossas escolhas, diante dos nossos próprios olhos? Escolher é o caos dos mortais. O tempo não vê a vida. O tempo só passa.
às
19:31
"Mente aberta e sorriso perfeito;
A alma grandiosa e o abraço sincero;
de corpo inteiro e fogo bem aceso,
Cabe ao juízo decidir esse paraíso..."
29 novembro 2011
Alma alada
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Renata F.
Quando a gente para para observar, percebe que o mundo não é lá essas coisas. Quando a gente esquece, o mundo desaparece. Mas quando o vento passa — o mais belo e mudo dos ventos — o sol levanta de cabeça erguida. Bem-vindo, sol; bem-vindo, dia. Bem-vinda seja mais uma vida. A liberdade ecoa pelo céu e encontra seus pássaros de asas abertas, de cabeça erguida. Quando o dia muda, tudo fica bem outra vez. Tudo se altera, tudo escuta — é tudo uma lentidão de horas novas. Quando a gente para para observar de novo, está tudo bem. Os passos estão em sintonia e a queda, estranhamente, fortalece. Para admirar a beleza deste mundo bastam olhos que não creem no amanhã. Mas quando a gente para para observar... percebe que o mundo não é lá essas coisas.
"Mente aberta e sorriso perfeito;
A alma grandiosa e o abraço sincero;
de corpo inteiro e fogo bem aceso,
Cabe ao juízo decidir esse paraíso..."
às
22:27
Apesar do tempo sem te ver,
meus lábios insistem em dizer;
as palavras brincam sem cessar,
como se quisessem te chamar
e te trazer de volta do passado.
Apesar dos dias de tensão,
já não bate igual o coração;
os dias perdem cor e calor,
as noites vestem frio e dor,
e o vento hoje sopra quieto, sem amor.
Apesar da vida em suspiros,
te vejo em todos os meus giros;
e quem te vê passar por mim,
não vê um paraíso assim:
vê no meu olhar, aflito e antigo,
a beleza amarga do castigo.
26 novembro 2011
Castigo
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Renata F.
meus lábios insistem em dizer;
as palavras brincam sem cessar,
como se quisessem te chamar
e te trazer de volta do passado.
Apesar dos dias de tensão,
já não bate igual o coração;
os dias perdem cor e calor,
as noites vestem frio e dor,
e o vento hoje sopra quieto, sem amor.
Apesar da vida em suspiros,
te vejo em todos os meus giros;
e quem te vê passar por mim,
não vê um paraíso assim:
vê no meu olhar, aflito e antigo,
a beleza amarga do castigo.
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18:07
25 outubro 2011
Eufemismo
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Renata F.
A morte nos conhece;
a morte conhece tudo.
A morte nada concede;
a morte desobedece.
Da morte, nada conheço
da morte que já conheci.
O que a morte me concedeu,
nenhuma dor esqueceu...
Temo falar do sofrimento — já me atravessou por inteiro e fez de mim seu refém. Permaneço, vítima quieta, no silêncio denso da dor, sem sentir nada além da impotência, nada além dessa angústia que insiste em ficar. Do estado em que me encontro — agora completo em sua infelicidade — deixo para trás, cada vez mais distante, aquilo que um dia fui. Talvez seja mais honesto dizer: perdeu-se. Deixou de existir. Há quanto tempo tudo mudou? Já não me respondo — e, mais do que isso, desaprendi a perguntar. Perguntas exigem respostas; e quando elas não vêm, resta apenas o peso de nunca serem ditas, a inquietação de um vazio sem nome. Acordada, sigo viva — mas não vivo. A vida passa como um reflexo involuntário: reage quando tocada, mas, na ausência de estímulo, permanece imóvel, suspensa, sem pulsar. Não cresce, não muda, não acontece. E assim, tão rápido quanto chega, também se vai — sem nunca, de fato, ter ficado.
às
23:11
14 outubro 2011
Para dizer alguém
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Renata F.
A distância, então, já não me engana. Aprendi, tarde, que ela não mede espaços — revela ausências. Já me perdi no tempo que insistia em guardar o que não voltaria; agora, espero apenas uma luz — não para me levar de volta, mas para me ensinar um novo caminho. Lá se vai a velha eu: apaixonada demais, desajustada nos próprios sonhos, ingênua ao ponto de acreditar que sentir bastava. Ela não errou — apenas sentiu sem medida, e pagou o preço de viver tão incerta. O novo alguém… ainda é cedo para dizer; mas sei que nasce, silencioso, entre os restos do que fui e o esboço do que posso ser. Já não carrega as mesmas ilusões, mas talvez traga algo mais raro: a coragem de recomeçar, mesmo sem saber.
às
22:56
Coisas do coração
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Renata F.
Não me lembro de, em algum dia, ter desejado reviver tudo aquilo. Na verdade, já não me vem quase nada à memória — nada do que um dia me diminuiu ou tentou me desfazer. Ainda assim, não abandonei o que o coração, em silêncio, me contou. Fui atrás dos versos mudos que deixei espalhados pela minha própria história — linhas tortas, sentimentos guardados, páginas que eu mesma evitei reler. Em cada uma delas, houve dor e um pouco de mim se perdendo. Mas também houve verdade. E é por isso que posso dizer, com sinceridade, que sorri. Sorri mesmo quando não era fácil, mesmo quando o peso parecia maior que o peito. E, mais do que isso, amei — amei com tudo que eu tinha, com tudo que eu era naquele momento. Talvez eu não queira lembrar de tudo, mas carrego comigo o que importou: a prova de que, mesmo em meio às ruínas, eu fui capaz de sentir — e ainda continuar.
às
22:51
As flores murcharam no vaso;
a água, esquecida, amarelou no tempo.
Cada dia que passou foi lágrima contida,
foi dor escapando em silêncio, sem alento.
E ainda assim, ela permaneceu —
teimosa, presente, viva em cada canto.
Talvez fosse saudade, talvez fosse amor demais,
transbordando em vão, sem destino, sem pranto.
Não sei dizer se era ausência ou excesso,
se falta tua ou sobra de mim;
só sei que ficou — densa e inquieta —
como algo que nunca chegou ao fim.
Por uma flor, por um beijo qualquer,
eu ainda pediria um gesto teu:
um sopro, um cheiro, um leve desejo,
qualquer traço do amor que se perdeu.
Só uma forma — mínima que fosse —
de acalmar esse peito aflito e tardio;
porque entre o que ficou e o que partiu,
ainda ecoa, em mim, um amor vazio.
Desejo proibido
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Renata F.
As flores murcharam no vaso;
a água, esquecida, amarelou no tempo.
Cada dia que passou foi lágrima contida,
foi dor escapando em silêncio, sem alento.
E ainda assim, ela permaneceu —
teimosa, presente, viva em cada canto.
Talvez fosse saudade, talvez fosse amor demais,
transbordando em vão, sem destino, sem pranto.
Não sei dizer se era ausência ou excesso,
se falta tua ou sobra de mim;
só sei que ficou — densa e inquieta —
como algo que nunca chegou ao fim.
Por uma flor, por um beijo qualquer,
eu ainda pediria um gesto teu:
um sopro, um cheiro, um leve desejo,
qualquer traço do amor que se perdeu.
Só uma forma — mínima que fosse —
de acalmar esse peito aflito e tardio;
porque entre o que ficou e o que partiu,
ainda ecoa, em mim, um amor vazio.
às
22:44
Ausências
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Renata F.
Minhas falas se perderam pelo meio do caminho, como se nunca tivessem encontrado lugar para existir. Era como ter uma poesia engasgada, uma cantoria nunca ouvida, uma risada que morreu antes de nascer. E, ainda assim, foi no fundo dos teus olhos que algo se revelou. Não encontrei minhas palavras, nem minha música, nem qualquer verso que pudesse me explicar. Encontrei meus sentimentos — aqueles que não foram ditos, não foram escutados, não foram vividos como deveriam. Era como se tudo o que faltou em mim tivesse se tornado visível ali, no teu olhar. E isso, de alguma forma, doeu mais do que o silêncio. Porque perceber é diferente de expressar; entender não apaga o que ficou guardado. Talvez eu tenha me calado cedo demais. Talvez tenha esperado demais. Ou talvez existam coisas que simplesmente não aprendemos a dizer a tempo. Hoje, o que me resta não é mais a tentativa de recuperar o que se perdeu, mas de aceitar que nem tudo precisa de palavras para ter existido — e que, ainda assim, há ausências que continuam pedindo voz dentro de nós.
às
22:37
Inteira
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Renata F.
Vi pouco da vida e há ainda muito que não vivi. Muito deixei pra trás, muito não fui atrás. Muita coisa deixei para trás; de outras, sequer me aproximei. Não fui por medo, talvez de me perder. Ainda assim, nunca deixei de enfrentar. Mas o pouco que vivi não foi o que me fez querer mais, nem o que senti me empurrou, necessariamente, em busca de outros sentimentos. O que houve foi presença. Em cada lugar por onde passei, estive inteira — por escolha. Nem sempre sei interpretar o que sinto, e fugir nunca foi minha forma de lidar com o mundo. Prefiro ficar, atravessar, tentar compreender. Busquei viver o agora como ele é, com suas imperfeições, com seus excessos e suas pausas. No meio dos outros, muitas vezes encontrei o vazio — mas, ainda assim, no pouco que vi, vi muito.
às
22:31
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Renata F.
E quem eu quero fica só no pensamento; no mais divino sopro do vento, no mais belo dos poemas, no mais suave e adocicado amor de veraneio.
às
20:19
11 outubro 2011
Sabor de uva
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Renata F.
Um pouco mais de água e amor,
já que não posso ter pão e vinho;
levarei comigo o calor do teu corpo,
o peso do teu abraço,
o sabor de uva
e o gosto de amor.
Levarei também o que não tem nome:
o intervalo entre uma palavra e outra,
o teu silêncio que sabia falar,
a forma como o tempo ficava quieto quando estavas perto.
Não peço muito ao mundo —
só que me deixe guardar o que já foi,
o que não volta,
o que ainda aquece mesmo de longe.
E se a sede voltar,
e o pão faltar outra vez,
ainda terei isso:
a memória do teu calor como último vinho,
como primeiro amor.
às
21:04
09 outubro 2011
Qual a sua palavra?
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Renata F.
Não existe isso de definição. Nenhuma palavra é forte o suficiente para um ser humano; pelo menos, não apenas uma. Talvez nem mesmo um conjunto delas, porque somos aquilo que se perde nos significados.
Palavra por palavra, sou mais "nenhuma"; não por ausência, mas por abertura. Porque “nenhuma” permite tudo: permite ser alguém, qualquer alguém, ou até mesmo alguém que ainda não foi inventado. É uma palavra que não prende; ela apenas deixa espaço.
Palavra por palavra, escolho também a "insuficiente", não como derrota, mas como reconhecimento - diz o que tem que dizer, sem deixar de não dizer.
Palavra por palavra, sou daquelas que escolhem o "não" para muitas coisas; não para mim mesma, não para a injustiça interior, não para infelicidade, não também para a falta de todas essas coisas, pois aí ninguém existiria.
Palavra por palavra, gosto da "imaginação", um substantivo simples, mas complexo, que mostra como as coisas querem ser sem deixar de realmente serem.
Palavra por palavra, a "verdade" seria incompleta, pois existem traços que nem mesmo a verdade conhece.
Palavra por palavra, existe aquela tal "perfeição", que nem ela mesma conhece tal imperfeição; talvez, a palavra mais feia do dicionário.
Palavra por palavra, tem aquelas das quais todos gostam: "bonito", "simples", "amigo", "amor" e tantas outras mais, mas que todos nem mesmo sabem conjugar (e julgar) o verbo "conhecer".
Palavra por palavra, existem milhões no mundo. Dicionário foi feito para isso. Mas o ponto alto da vida não é se definir.
É traduzir-se e ser traduzido.
às
18:43
Velho e antigo
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Renata F.
Aquele frio no estômago — ainda sinto. O arrepio que percorre a espinha, o coração nas mãos quando o telefone toca; e o mesmo coração, descompassado, ao ver o nome acender na tela — tão confuso e tão bom — ainda sinto. Ouvir a música que ele canta baixinho, meio desafinado, ao pé do ouvido, e trazê-lo à memória, vivo, por um instante inteiro. Sentir um perfume qualquer e, de repente, reconhecer: é o dele — ainda sinto. Quando me envolve em seu abraço, como um manto, é como se o mundo coubesse ali. O abraço firme, quase infinito. O sorriso levemente torto — imperfeito, e por isso mesmo o mais bonito — aquele que ilumina, que contagia, que faz da simplicidade um lugar inteiro. Simples é o seu toque. Simples é também a forma como ele volta ao meu pensamento, sem esforço, sem aviso. E mais que o frio no estômago, há um torpor suave, um sorriso inevitável que nasce nos meus lábios… ao vê-lo. Só ao vê-lo. Ainda sinto — como no primeiro instante em que algo novo e diferente floresceu em mim. Um novo bom. Um novo que transformou tantas coisas e continua transformando, a cada hora, a cada dia. Um novo que amo hoje como se fosse antigo, como se sempre tivesse sido meu — mas que jamais se desgastou, jamais se perdeu no tempo. E não vai se perder. Porque há sentimentos que nascem raros — e, justamente por isso, nunca deixam de ser extraordinários.
às
16:45
14 setembro 2011
Guerra e agonia
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Renata F.
Vem de dentro para fora. Vem do alto, do além — de um lugar que não enxergo bem. E, de tempos em tempos, retorna como quem insiste em me fazer esquecer a verdade, só para me fazer sentir tudo outra vez. Sentir o que não quero, o que talvez nem devesse sentir. Ainda assim, não peço perdão pelo que fiz, nem pelo que disse. Agradeço à coragem que me atravessou — e à presença de quem esteve ali para ouvir. Já é tarde para nomear o que foi: se senti, se chorei… Mas não posso negar — doeu. Doeu no fundo, onde o silêncio pesa. Foram noites monótonas e, paradoxalmente, intensas — tão vivas que me transbordaram. Ventos vieram, trazendo sonhos que eu quis esquecer, mas que insistiram em permanecer. Não sei dizer se vivi ou se sonhei. Talvez tenha sido tudo ao mesmo tempo. O que passou… passou. De uma vez só, rápido demais — como um suspiro que se perde antes de ser compreendido. Cada palavra, cada distância — uma guerra. Uma agonia.
às
14:23
Imenso mar
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Renata F.
Para que soe como prece, eu te peço perdão.
Peço-te um beijo — não para começar, mas para encerrar o que ainda insiste em amar.
Peço-te um abraço — não de abrigo, mas de despedida, para selar o fim daquilo que chamei de amizade.
Diante do calor dos teus olhos, imploro pelo frio.
No aconchego dos teus braços, desejo o silêncio profundo de um poço onde tudo possa enfim descansar.
Desafiei a minha vida junto à tua — e, com ela, os sentimentos que guardei.
Meu coração ainda se mantém de pé, resistente… mas já não suporta tanto peso, tanta dor.
Então, suplico:
retira de mim o teu amor.
Retira de mim… você.
às
16:54
12 setembro 2011
Paz
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Renata F.
Ouço um chiado — alguém chama meu nome. Há algo estranho na forma de me chamar — uma entonação exaltada, quase estranha ao que estou acostumada. A voz que me chama não é assim. É baixa, abafada, distante… por vezes amarga.
Espero — ainda espero — por aquele sorriso escondido no som, por um riso leve que me alcance ao pronunciar meu nome. Um tom amoroso, único, capaz de me reconhecer inteira. Mas ele não vem. Nunca vem. Perde-se em algum lugar do infinito, dissolvido num rosto que não reconhece emoção.
E então me pergunto: será que nunca há de chegar quem me faça sentir diferente? Quem me desarme só ao dizer meu nome, quem me desfaça em silêncio, quem me enlouqueça no simples ato de me chamar?
Ah, que Deus o traga antes que eu me esqueça do que é felicidade. Porque em mim ainda habita a paz que procuro — a paz dos meus amanheceres, a paz de amar, a paz de sorrir sem esforço.
Eu só preciso… de paz.
às
17:07
17 agosto 2011
Agonia
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Renata F.
Acordo, outra vez, com a sensação de um dia errado. O sol mal nasce — e já parece tarde demais. Há uma sombra antecipada em tudo, como se o dia tivesse desistido antes de começar. Tudo soa fora do lugar, desalinhado; nada encaixa, nada promete dar certo. Não sei como viver hoje. Ou melhor — talvez eu saiba. Hoje, eu não quero viver. Pergunto-me por que a vida insiste em me oferecer aquilo que não peço, aquilo que não quero. Sempre há um detalhe, um fato isolado, que retorna como ventania e revolve tudo outra vez. Se o passado não volta, por que continua tão presente, tão vívido, tão impossível de ignorar?
Saio à rua e me enrolo nos próprios passos. O asfalto quente sob os pés, o corpo cambaleante — sigo entre tropeços em buracos que talvez nem existam, desviando de pedras que só eu vejo. O caminho é vazio, sem direção. Onde está a sanidade? No meio da rua ou perdida junto com o resto de mim? Ontem — um nome simples para um dia em que escolhi viver. O céu nasceu azul, e isso bastou… ainda que me tenha custado tudo: o que a vida me deu, o que deixei escapar, o que carrego como culpa. Mas a verdade é que nunca quis, de fato, ser feliz. Quis apenas entender porque o céu muda de cor tão logo amanhece.
Foi quando os fatos deixaram de fazer sentido — de se encaixar, de se explicar — que comecei a temer por mim. Falo quando deveria silenciar, choro quando deveria sorrir, me entristeço quando tudo ao redor pede alegria. São devaneios sem resposta, perguntas sem linguagem. Já não importa quem passa, quem olha, quem espera algo de mim. O mundo, por um instante, parece girar ao meu redor — e eu me perco nesse movimento, incapaz de fixar os olhos em qualquer direção. Tudo é excesso: possibilidades demais, caminhos demais — e nenhum simples o suficiente para que eu escolha. Digo a mim mesma que posso mudar qualquer sentimento. Mas não é assim. Nunca foi. Não se apaga a agonia como se apaga a luz de um quarto. Não se desfaz o peso apenas porque se deseja leveza. E hoje… hoje não há tempo para isso. Estou ocupada demais tentando descobrir como não viver minha vida — ou, quem sabe, vivê-la em um único instante, rápido o bastante para que tudo desapareça antes que eu precise entender.
às
23:47
20 julho 2011
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Renata F.
“Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio a minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando.
(Machado de Assis)
às
22:48
Brilho de uma lástima
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Renata F.
Eu não tinha esquecido. Nada foi embora. Tudo permaneceu — guardado nas cinzas do inverno que atravessei ao seu lado. Cada dia. Cada noite. Cada sentimento intacto, como se ainda respirasse em algum lugar dentro de mim. Aquele nosso sonho antigo — o de sorrir sem medo do amanhã — ainda ecoa. Dias sem destino, leves, quase eternos… dias que já não existem. E o sonho se foi, arrastado junto com as lágrimas que deixei cair sem pudor, sem sequer me permitir arrependimento. Os carinhos. Os instantes. As pequenas eternidades que vivemos… Tudo isso agora me corrói por dentro.
Saudade é pouco — não alcança o que sinto.
Porque sentir… dói demais.
Mas o que ficou em mim — isso dói ainda mais.
às
22:33
Saudade
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Renata F.
“Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
(Martha Medeiros)
às
22:19
Por todos os sorrisos
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Renata F.
"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim, do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe, nos e-mails trocados. Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo. Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente. Quando o nosso grupo estiver incompleto, nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos, faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado e nos perderemos no tempo. Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades. Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos."
(Vinícius de Moraes)
Dia do Amigo, 20 de julho.
Feliz dia do amigo a todos os amigos do mundo, todos os dias.
às
14:41
18 julho 2011
Dê-me asas para voar
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Renata F.
Por onde andaram as décadas da minha existência? Para onde foram as histórias de uma vida inteira? A juventude chegou tardia — ou talvez tenha passado por mim sem que eu percebesse. Estive alheia a mim mesma, incapaz de voltar no tempo, incapaz de recuperar o que não vivi. E então descubro: esses anos todos, eu não vivi. Eles ficaram parados nas fotografias em preto e branco de um álbum antigo, esquecido nas estantes empoeiradas da saudade. E, entre uma página e outra, havia vazios demais — fotos que nunca foram tiradas, momentos que nunca aconteceram. A vida seguiu, aparentemente intacta. Mas, no fundo, quase nada aconteceu. Algumas coisas resistiram nas lembranças que escolhi guardar; outras, deixei morrer em silêncio, quando decidi esconder o que sentia. Conheci o peso da dor antes de cair nos braços da tristeza — e afundar. Minha cabeça pendia, insistente. O tempo corria estranho: rápido demais, ilusório, sempre escapando. Um sentimento novo, impossível de substituir — e, ao mesmo tempo, profundamente agonizante. Não sei medir sua intensidade, só sei que ele me atravessou por completo. E, nesse ser que aprendeu a viver na monotonia, restou uma marca nítida, quase cruel: o passado não acontece… quando não estamos presentes.
às
13:56
14 julho 2011
Amar é...
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Renata F.
Muitos já me perguntaram sobre o amor — e, como tantos outros, eu não soube responder. Talvez porque nunca tenha amado. Ou talvez porque o amor não seja algo que se possa explicar. O amor escapa. Ultrapassa qualquer tentativa de lógica, qualquer definição segura. Então, quem sou eu para traduzi-lo em palavras? Ele parece pertencer apenas aos que o vivem — e, ainda assim, nem mesmo os amantes o compreendem por inteiro. Nem os poetas, com toda a sua coragem, conseguem dizê-lo sem falhar. “O que é o amor? O que é amar?” Perguntas que se repetem como um eco antigo, sempre sem resposta definitiva. Amar é um mistério — desses que não pedem solução, apenas entrega. Um clichê, talvez, mas dos poucos que resistem à dúvida e continuam sendo verdade. E eu… como poderia compreender um sentimento tão vasto, tão incerto, sendo tão limitada, tão falha — tão humana?
às
12:01
Saber viver
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Renata F.
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome: auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver."
(Charles Chaplin)
às
17:35
13 julho 2011
Promessas insignificantes
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Renata F.
Diga que estou em cada canto do teu olhar,
em cada abismo do teu pensamento,
em cada estrela que acende a noite.
Diga que precisa de mim — que me quer ao teu lado,
em qualquer lugar, sob qualquer circunstância.
Diga sem medo, sem medida.
Diga que não exagera quando compara a lua à minha beleza —
não porque ela seja menor,
mas porque é tão pura quanto.
Diga que o meu sorriso te ilumina,
que em mim você recomeça,
como se o mundo, de repente, fosse leve, sem promessas pesadas.
Diga apenas que te faço feliz.
Que te faço sorrir.
Que me quer perto do teu coração —
sem o peso de temer ter dito demais,
sem o arrependimento de ter dito tarde.
Não precisava doer tanto assim.
Bastava me ensinar o que é saudade —
essa velha e bonita ligação entre o meu peito e o teu.
Não precisava acontecer tantas vezes.
Uma única vez já bastaria
para sustentar uma vida inteira, confusa e feliz.
Uma segunda… talvez me levasse à loucura.
E eu nem preciso dizer —
tudo isso é só uma forma de ouvir de você
o que nunca tive coragem de confessar.
Porque, no fundo, as palavras diminuem o que sinto.
Mas, ainda assim diga.
Que o meu coração cuida do resto.
em cada abismo do teu pensamento,
em cada estrela que acende a noite.
Diga que precisa de mim — que me quer ao teu lado,
em qualquer lugar, sob qualquer circunstância.
Diga sem medo, sem medida.
Diga que não exagera quando compara a lua à minha beleza —
não porque ela seja menor,
mas porque é tão pura quanto.
Diga que o meu sorriso te ilumina,
que em mim você recomeça,
como se o mundo, de repente, fosse leve, sem promessas pesadas.
Diga apenas que te faço feliz.
Que te faço sorrir.
Que me quer perto do teu coração —
sem o peso de temer ter dito demais,
sem o arrependimento de ter dito tarde.
Não precisava doer tanto assim.
Bastava me ensinar o que é saudade —
essa velha e bonita ligação entre o meu peito e o teu.
Não precisava acontecer tantas vezes.
Uma única vez já bastaria
para sustentar uma vida inteira, confusa e feliz.
Uma segunda… talvez me levasse à loucura.
E eu nem preciso dizer —
tudo isso é só uma forma de ouvir de você
o que nunca tive coragem de confessar.
Porque, no fundo, as palavras diminuem o que sinto.
Mas, ainda assim diga.
Que o meu coração cuida do resto.
às
17:09
Tempo
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Renata F.
Pouco tempo — e ainda assim, tanto. As esquinas da minha solidão, aos poucos, foram se encontrando nas tuas ruas estreitas, aquelas onde um dia eu mesma me perdi — e, por um instante, me reconheci. O tempo… ah, o tempo. Ele para quando mais preciso, mas sorri enquanto sigo. Um sorriso debochado, suave, quase cruel. E eu, no meio disso tudo, não me sinto dona de nada. Nem da verdade. Nem do amor. Pouco mudou — ou é o que parece. Uma nuvem que passa, algumas folhas que caem… mas, no fundo, tudo permanece estranhamente igual. A escuridão habita em mim sem pedir licença. Não se desculpa, não hesita — apenas corrói, em silêncio, cada parte, cada vestígio de luz. Apaga os sorrisos que um dia foram meus… e sequer se despede quando me leva com ela. Talvez ainda haja algo a descobrir. Mas, desta vez, eu escolho fugir — não por fraqueza, mas para não reaprender a dor.
às
13:20
23 junho 2011
À deriva
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Renata F.
Por muito tempo reconheci em mim uma guerreira — alguém que lutava e corria atrás de uma vida que, de algum modo, eu já havia perdido. Talvez, por isso, eu já devesse saber o que restava. A esperança tocou de leve a minha consciência, quase tímida. O que realmente surgiu foi o calor estranho de um novo tempo — incerto, talvez sem rumo, mas ainda assim vivo. Dizem que, para que uma queda valha a pena, ela precisa vir carregada de emoção. Mas e quando essa emoção nunca chega? Quando tudo o que existe é o impacto seco, sem sentido? Há momentos que são, de fato, hostis. Momentos em que há poucos heróis, quase nenhuma glória e apenas um fiapo de vontade de continuar. E então, recomeçar deixa de ser promessa e vira dúvida. Porque a razão já não encontra chão — e a emoção… essa parece nunca ter existido.
às
22:54
11 junho 2011
Dias estranhos
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Renata F.
Um olhar perdido no céu, à procura de um sol nascente — de um novo dia, inquieto e perplexo, que se erguia com a falsa segurança de quem acredita saber caminhar. O mundo já não era o mesmo de antes, e talvez isso explicasse o tom assustado que os ventos carregavam.
Você já não era o mesmo: havia em si um desamparo silencioso, refletido em olhares vagos, atravessados por dúvidas, receios e anseios que se desenhavam em seu rosto à luz da noite. Eu, por minha vez, era o cansaço acumulado de tantas noites em claro, pensando na lua e nas estrelas que um dia foram minhas — ou que pensei que fossem. Em algum instante, a distração me ultrapassou, e foi assim que percebi: havia falhas no céu.
Por muito tempo, persegui algo que nunca existiu. Um milagre, talvez — embora nem mesmo essa palavra pareça suficiente. Fiz promessas ao infinito céu acima de mim. Carreguei o peso de uma jornada sem retorno — sem prêmios, sem glórias, sem sequer a promessa de dias melhores ao final do caminho. E, ainda assim, houve momentos em que senti falta das minhas estrelas — aquelas que, um dia, me guiaram quando a bússola falhou e o instinto já não sabia para onde apontar. Mas, no fundo, a pergunta sempre foi outra: para onde elas realmente me levavam? E, mais difícil ainda — para onde eu queria ir?
às
22:33
08 junho 2011
Dias e noites
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Renata F.
Vivo a vida que a manhã me oferece — a beleza leve que nasce com o sol, o sopro tranquilo que ilumina o início de tudo. Há uma promessa silenciosa no dia, como se cada raio de luz trouxesse consigo a chance de recomeçar. Mas nem mesmo os pássaros ignoram quando, ao longe, nuvens cinzentas começam a se formar no horizonte. Dizer que a vida é apenas bela seria mentir. Não é só a leveza que me habita, nem só a liberdade que sinto ao existir, pensar e agir. Há dias em que caminho sem culpa, quase sem dor — e outros em que a própria ausência de sentido pesa mais que qualquer ferida. Não sou feita apenas de sorrisos. A felicidade não me atravessa o tempo inteiro. Às vezes, o que resta é uma paz breve, delicada, que me mostra a vida como ela é — imperfeita, transitória, humana. Mas, então, por que chove nos dias de céu que passam? Por que me perco quando tudo parecia claro? Em que instante a paz se despediu de mim? A minha paz foi embora com a noite e não voltou com o dia claro.
às
15:59
04 junho 2011
Saudades
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Renata F.
Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
Então — proscrito e sozinho —
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
— Saudades — dos meus amores,
— Saudades — da minha terra!
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!
Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.
Então — proscrito e sozinho —
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
— Saudades — dos meus amores,
— Saudades — da minha terra!
(Casimiro de Abreu)
às
22:37
03 junho 2011
Tardes vazias
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Renata F.
Nas tardes vazias de uma vida
sem sentido, sem razão, sem emoção
Uma luz que aparece sem rodeios
e não traduz nenhuma canção
Atrás de um clarão,
eu corro - ah, e como corro!
Mas agora me diz, vida
o que eu faço por um socorro
Sinto a minha fome,
percebo a minha sede,
mas ainda não vi o que me espera;
Só sei do frio em minha pele
e do amor em meu coração
que começa a enxergar as dores da minha emoção
que começa a enxergar as dores da minha emoção
às
19:43
27 maio 2011
Lua cheia
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Renata F.
Jovem noite, ambiciosa,
reclama — suave — o teu sorriso;
dos teus lábios, desvela o mistério
que guarda o teu silêncio conciso.
Sob a lua cheia, inteira,
perfumes e melodias me cercam,
à procura de uma voz serena
que aquiete o vazio que me habita.
É em ti que descubro, talvez,
os milagres que a vida ainda traz;
e sigo, então, com esse verso incompleto
que só em ti encontra paz.
reclama — suave — o teu sorriso;
dos teus lábios, desvela o mistério
que guarda o teu silêncio conciso.
Sob a lua cheia, inteira,
perfumes e melodias me cercam,
à procura de uma voz serena
que aquiete o vazio que me habita.
É em ti que descubro, talvez,
os milagres que a vida ainda traz;
e sigo, então, com esse verso incompleto
que só em ti encontra paz.
às
17:11
22 maio 2011
Palavras usadas
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Renata F.
"Peço-te que me dê seu perdão, ainda que não aceites minhas desculpas. Perdão por todas as coisas feitas, as coisas ditas, as não-ditas e mais ainda pelas ações impensadas. Perdão pelas pequenas coisas descuidadas, as insanidades, as loucuras, até mesmo as dores e agonias que em ti causei. É perceptível em mim tais dores, silenciosas e permanentes. Perdão por meu ser errôneo, figurativo e enfadonho. Totalizo em mim uma pessoa sem graça e embaraçada. Eu sei ainda caber e ainda existir essa grande força de que tenho certeza ser a nossa união em meu coração. Acredito nesse pequeno grande ponto que é nossa amizade, acredito em mim e você juntos como uma força sem igual, de constante renovação, mas inabalável sempre, sem cansar das coisas como são ou de você, como ser, sem importar essa distância tão presente. Essas lágrimas do meu perdão, que choro junto aos teus pés, se não te serves, peço que perdoe-me se elas são apenas lágrimas fúteis. Eu não fiz por mal, só espero o teu perdão."
às
12:21
Turbulência
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Renata F.
Estranho é falar de um sentimento desse. Uma estrada ligeiramente fechada, uma ladeira de pedras cortantes e um muro de plantas espinhosas para alcançar ao céu. Vou atrás das estrelas, tentando mantê-las junto a mim. Percebo correr demais atrás de uma vida e esquecer que um novo dia nasce logo amanhã, logo no próximo minuto. A longa noite que se forma no horizonte, de calmaria e calor, se aproxima cada vez mais do meu olhar: olho a lua com apenas um desejo nos lábios. Vejo-a de tal maneira formosa que me remeto a pensar em perfeição ou apenas mera ilusão. Não vi fazer sentido quando olhei para trás; o meu presente está mais vivo do que eu possa um dia imaginar.
às
20:03
15 maio 2011
Céu e inferno
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Renata F.
Pego a mim refletindo sobre um ser diferente, um ser em chamas, experimentando um novo rumo de incertezas. Nessas indas e vindas, fui e voltei sem sacrifício; apenas voltei com um leve vestígio de guerra. Um caminho exigente, que pediu-me força e autocontrole, onde pisei fundo e caí no primeiro passo. Sim, eu caí. Caí por não aguentar a travessia de... loucuras, talvez. Eu subestimei o caos e o paraíso. Mas num erro simples, me vi confusa e perdida. Eu vi a mim como eu realmente era.
às
19:42
Calado coração
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Renata F.
Recebo-te de mãos vazias, braços abertos e noite fria. Coração machucado, desarmado, que explode sem limite, sem razão. Dia lindo, mas céu nublado, minha alma foge pelas minhas mãos; corro atrás dessa minha alma alada e desolada. Um sorriso um tanto quanto antiquado jaz em minha face pálida de amor. Espero - tenho esperança -, mas esse tal muro que me ronda nunca cairá.
às
10:41
Dias inquietos
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Renata F.
Esses teus olhos, os teus olhos meus dias iluminam, luz dos raios de sol. Dias de sossego sem razão, dias inquietos, dias repletos de anjos. Uns dias nunca antes apresentado. És o fogo para me aquecer e não me encontro em nenhum lugar a não ser em teus braços. Para que correr? Estou junto a ti que, de forma tão rica, não esconde impulsos por mim. Porque vieram, lágrimas de cunho aberto, que sobre mim resplandece uma face sem amor, sem desejo, sem carinho?
às
20:09
Uma canção boa de cantar
sem uma nota a me agradar
Um coração cheio de espinhos
um céu sem nuvem e azul marinho
Um dia, eu chego feita
até que a maré me desenfeita
A maré que me leva embora
é a mesma que me traz aqui e agora
Feliz como um passarinho
vou atrás das músicas a assobiar
Feliz, como eu diria:
agora a vida fantasia!
13 maio 2011
Encanto
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Renata F.
Uma canção boa de cantar
sem uma nota a me agradar
Um coração cheio de espinhos
um céu sem nuvem e azul marinho
Um dia, eu chego feita
até que a maré me desenfeita
A maré que me leva embora
é a mesma que me traz aqui e agora
Feliz como um passarinho
vou atrás das músicas a assobiar
Feliz, como eu diria:
agora a vida fantasia!
às
21:39
06 maio 2011
Pouco e nada
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Renata F.
Nada é mais suportável que a mim mesma. Como diante de um olhar eu me perco, e no leve pesar de um vento eu corro a pessoa mais feliz do mundo? É como eu enxergo o mundo. Desfiguro-me completamente. Mas ninguém me disse para calar o coração. Mesmo se eu pedisse desculpas, nada consertaria o fardo de minh'alma calada em apuros.
às
20:45
Corações apaixonados
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Renata F.
Esses dias em que tudo dá errado, dias preto-e-branco, jogado às faces tristes do vento. A chave de um coração é perdida e os sentimentos se desesperam. Tudo é um perfeito desgosto. Desgosto? A vida só desaprova. O mundo nem se abala. Grita plena liberdade e tu, prisão eterna. Chove e chove... só chove e chove. Três segundos já não são os mesmos três mundos, mas a vida continua; não melhora, não piora. Padrões atrás de padrões, perdões sem refrões. Mundos perdidos.
às
15:04
24 abril 2011
Razão de viver
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Renata F.
"Num piscar de olhos, eu perdi tudo. Perdi o dia, o sol e o vento; a lua, as estrelas e o mar. Perdi o amanhecer do novo dia e minha chance de viver. Perdi tudo menos a sensação de perda; perdi teu olhar, perdi a minha razão".
às
14:56
Sorria!
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Renata F.
Pelo pôr-do-sol no fim de tarde, pelo mar calmo ou agitado, pelas estrelas que brilham junto a lua ao anoitecer e pela esperança de um novo e melhor dia; por um abraço forte, que aquece a alma, por um carinho de amigo ou irmão, por um sorriso verdadeiro, pela felicidade de estar viva; pelo estranho prazer de sentir emoções, de se apegar, de sentir ciúmes e chorar, de cuidar do que é meu. Por cada sonho lindo, por cada pensamento, por cada idealização; por ajudar, por sentir a necessidade do outro, por sentir a presença do outro ao seu lado, sem medo de ser feliz. Eu sorrio por tudo isso e muito mais. Talvez, se todos nós apenas sorríssemos, sem medo, sem vergonha, sem preocupações, talvez fosse tudo tão mais fácil. Diz se é perigoso a gente apenas ser feliz...
às
14:48
Felicidade
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Renata F.
Divertido é achar graça da sua vida, apenas da sua. Quando você cai, quando você se machuca, quando você perde; isso sim é divertido. Hilário, para bem dizer a verdade. Divertido é apenas sorrir da sua vida destruída, tirar proveito da situação enquanto você está por baixo. Chorar e chorar, talvez até se arrepender, mas não deixar de lembrar em nenhum momento da sua vida, aquela que parece estar se esvaindo. Talvez digam, “isso não é nada”, mas eu digo mais, “é amor no coração!”.
às
14:40
Bolha de sabão
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Renata F.
As bolhas voam e voam atrás do vento, divertidas, atrás da felicidade. Leves, soltas, autênticas; nunca outra igual será feita. Apenas água e sabão. Simples como um pedaço de nuvem; simples como deveria ser a vida.
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