01 dezembro 2011

Olhos de vidro


O tempo não para quando a gente quer. Também não perdoa nossos erros, nossos traços, nossos abraços ou nossos desencontros — os minutos simplesmente existem, alheios às horas que tentamos contar. O tempo não nos leva aonde queremos; não deixa de existir por capricho; não faz o que a gente quer. Não escolhe o que traz, assim como não nos mostra o que poderia ter sido. O tempo se faz medonho, impaciente. Brinca, esconde-se, reaparece. Faz ameaças ao coração e à alma que vacila. Não faz promessas, nem exige de nós o mesmo que exigimos dele. É caótico, poderoso, imutável. Às vezes, sufoca. O tempo não tem paciência para esperar a boa vontade de um sentimento. Faz redemoinhos em nossa vida — traz o sofrimento, a dor, a destruição. Mas também traz a cura. A cura... ainda que demore, chega. Ela renova, renova-nos, renova-se. Nunca foi visto o trem que levou embora o tempo. Tampouco o que levou o sofrimento, a dor, a destruição. Para qual lado ir quando as estradas se desfazem ao longo das nossas escolhas, diante dos nossos próprios olhos? Escolher é o caos dos mortais. O tempo não vê a vida. O tempo só passa.

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