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22:00

26 março 2011
Simplicidade
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Renata F.
As melhores coisas do mundo refletem a simplicidade da vida. Poucos resistem a um pôr do sol; é inventando passos na areia que se descobre um sorriso. Um abraço ainda tem peso de abrigo; o coração, quando acelera, diz mais do que palavras. E há algo de imenso no cair da chuva — no som manso das gotas, na paz que lentamente invade tudo. As flores espalham no ar o perfume da paixão; as folhas continuam a cair no outono — essa estação que ensina a amar, mesmo deixando ir. No espelho inquieto do mar, a vida se reflete imperfeita, e ainda assim bela. A beleza ainda persiste onde o sonho respira. E, porque o que é bom não permanece para sempre, cada instante pede para ser vivido como se fosse o último — inteiro, leve, verdadeiro.
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21:12
Os ventos
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Renata F.
“Insisto nos pássaros e na alegria simples de voar. Como são leves as pequenas vidas deste mundo. E esses ventos que me atravessam — que, por alguma coincidência íntima, despertam em mim uma vontade incontida — o que querem de mim? Há um tumulto manso no meu peito, como se eu reconhecesse, em silêncio, aquilo que nunca vivi, mas sempre me pertenceu. Diz-me: seria, afinal, um crime voar?"
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19:29
"Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo."
Tempo perdido
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Renata F.
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo."
(Legião Urbana)
às
19:45
25 março 2011
A expressão do sentimento
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Renata F.
"Nesse meu sonho, tudo parecia vivo. Eu sentia tudo — e tudo, de algum modo, fazia sentido. Havia um sorriso que nascia sem esforço, como se cada instante me reconhecesse. Por um momento, deixei de acreditar que era fantasia: parecia uma realidade pulsante, intensa.
Tudo se impunha com presença — as cores vibravam, os sons respiravam, os lampejos me atravessavam. Eu me perdia a ponto de esquecer o ar, entregue a uma plenitude que mal cabia em mim. E, naquele único instante, tudo valia. Meu rosto não escondia: havia ali a expectativa serena de um amor por vir.
Mas, ao encarar a realidade, restou a dúvida — talvez tudo não passasse de um sonho mal desenhado, bonito demais para durar, colorido demais para ser verdade."
às
23:00
Lá fora, o mundo acontece sem tocá-lo. Os raios cortam o céu, mas não alcançam o chão frio da sala, contido pelas paredes espessas; o calor se perde antes de aquecer. O tempo deixa de ser medida — segundos, horas, dias se confundem — porque, no fundo, tudo se resume ao mesmo movimento: avançar sem sair do lugar.
05 março 2011
Passos secretos
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Renata F.
Dentro de um círculo de pesadelos, ele caminha — e cada passo é um retorno, um eco insistente do mesmo erro. Não há começo nem fim, apenas repetição: vitórias que se desfazem antes de existir, razões que se perdem no próprio desencontro. Há um poço aberto na exata medida do seu abismo — não no chão, mas dentro dele — onde a realidade se dissolve em silêncio.
Ele avança, não por escolha, mas por impulso — à procura de algo que já não sabe nomear: um sentimento que se apagou, uma voz que não responde, uma paixão que resiste apenas como lembrança. E, ainda assim, em cada passo há um peso oculto — uma gratidão muda, quase incompreensível, por tudo aquilo que o feriu e o formou.
Lá fora, o mundo acontece sem tocá-lo. Os raios cortam o céu, mas não alcançam o chão frio da sala, contido pelas paredes espessas; o calor se perde antes de aquecer. O tempo deixa de ser medida — segundos, horas, dias se confundem — porque, no fundo, tudo se resume ao mesmo movimento: avançar sem sair do lugar.
O chão que pisa — alinhado, rígido, exato — suporta seus passos como se guardasse sua história. Ladrilhos encaixados na geometria da solidão. E, ainda assim, entre mil ruídos, o que permanece é um silêncio denso, absoluto, que diz mais do que qualquer grito.
Bastaria um instante de lucidez — uma fresta de luz, um sopro de vida. Tão pouco o separa da verdade, tão pouco do que foi perdido. Mas já não é sobre caminhar. É sobre encarar aquilo que ele sempre evitou: a verdade que o habita, a verdade que ele insiste, em cada passo, em não revelar.
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