27 maio 2011

Lua cheia

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Jovem noite, ambiciosa,
reclama — suave — o teu sorriso;
dos teus lábios, desvela o mistério
que guarda o teu silêncio conciso.

Sob a lua cheia, inteira,
perfumes e melodias me cercam,
à procura de uma voz serena
que aquiete o vazio que me habita.

É em ti que descubro, talvez,
os milagres que a vida ainda traz;
e sigo, então, com esse verso incompleto
que só em ti encontra paz.

22 maio 2011

Palavras usadas

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"Peço-te perdão, ainda que não aceites minhas desculpas. Perdão por tudo o que fiz, pelo que disse e pelo que calei — e, sobretudo, pelas ações impensadas. Perdão pelas pequenas negligências, pelos excessos, pelas loucuras e, principalmente, pelas dores que te causei. Carrego em mim essas marcas: silenciosas, persistentes. Reconheço meus erros, minhas falhas, minhas imperfeições — aquilo em mim que tantas vezes foi descuidado e pesado. Ainda assim, acredito que há algo que resiste. Guardo no peito a certeza de que esse nosso nó — esse pequeno grande ponto que é a nossa amizade — não se desfaz com facilidade. Acredito em nós como uma força rara: que se renova, que persiste, que não se cansa, apesar da distância, apesar do tempo, apesar de tudo. Se estas lágrimas que derramo por ti nada significarem, perdoa-me também por isso. Talvez sejam frágeis, talvez insuficientes — mas são sinceras. Eu não agi por mal. Apenas te peço, com o que me resta de verdade: o teu perdão."

Turbulência

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“Estranho é tentar falar de um sentimento assim. É como trilhar uma estrada estreita e quase fechada, subir uma ladeira de pedras cortantes e atravessar um muro de espinhos na esperança de alcançar o céu. Ainda assim, sigo — vou atrás das estrelas, tentando guardá-las junto a mim. Percebo, então, que corro demais atrás da vida e me esqueço de que ela recomeça a cada instante — no próximo minuto, no próximo amanhecer. A noite se alonga no horizonte, quente e silenciosa, e se aproxima do meu olhar. Encaro a lua com um único desejo preso nos lábios. Ela é tão bela que me faz duvidar: seria perfeição ou apenas uma ilusão delicada? Já não encontro sentido em olhar para trás. O presente pulsa, mais vivo do que um dia imaginei — e, talvez, mais verdadeiro do que tudo o que já passou.”

19 maio 2011

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A esperança tornou-se um pequeno momento de paz, desses que chegam silenciosos, pousam no peito cansado e fazem o mundo parecer menos pesado, mesmo que só por alguns instantes.

15 maio 2011

Céu e inferno

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Pego-me refletindo sobre um ser que já não reconheço por inteiro — um ser em chamas, atravessando um rumo novo, feito de incertezas e vertigens. Entre idas e vindas, fui e retornei sem grandes alardes; voltei apenas com marcas sutis, como vestígios de uma guerra silenciosa travada por dentro.

Era um caminho exigente, daqueles que pedem mais do que coragem: pedem domínio, entrega e lucidez. Pisei firme, acreditando estar pronta — e caí logo no primeiro passo. Sim, eu caí. Caí por não suportar a travessia dessas intensidades… dessas loucuras, talvez. Subestimei o caos — e, mais ainda, o próprio paraíso.

E foi nesse tropeço simples que tudo se revelou. Vi-me confusa, perdida, despida de certezas. Mas, pela primeira vez, vi a mim mesma sem disfarces: crua, imperfeita, real. E, ainda que desconcertante, havia ali uma verdade impossível de ignorar — a de que, mesmo em ruínas, eu finalmente começava a me enxergar.

Calado coração

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Recebo-te de mãos vazias, braços abertos e a noite fria a me envolver. Trago no peito um coração ferido, desarmado — um coração que explode em silêncios, sem medida, sem razão.

O dia é belo, mas o céu insiste em se cobrir; e minha alma escorre por entre meus dedos, como algo que não sei mais conter. Corro atrás dela — essa alma alada, errante, desolada — como quem tenta resgatar a si mesma antes de se perder por completo.

Em meu rosto pálido, jaz um sorriso antigo, quase esquecido, desses que já não sabem se ainda pertencem ao presente. Ainda assim, espero — insisto em esperar. Há em mim uma esperança teimosa, frágil e persistente.

Mas esse muro que me cerca… esse muro erguido de medos, lembranças e silêncios — temo que jamais desabe. E, ainda assim, permaneço aqui, entre a espera e a entrega, como quem, mesmo ferido, não desaprendeu a sentir.

Dias inquietos

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Esses teus olhos me iluminam os meus dias como raios de sol. Trazem sossego sem explicação, mas também inquietude; dias serenos e dias habitados por paz — tempos que eu nunca antes conheci.

És o fogo que me aquece — e já não me encontro em lugar algum que não seja em teus braços. Para que correr, afinal? Estou junto a ti, que, de forma tão intensa, não ocultas o que sentes por mim.

Mas então, por que vieram as lágrimas? Lágrimas abertas, inevitáveis, que me atravessam e refletem em mim uma face estranha — sem amor, sem desejo, sem carinho. Como pode, se em ti encontro tudo aquilo que me faz viver?



13 maio 2011

Encanto

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Uma canção boa de cantar,
mesmo sem uma nota a me agradar;
um coração cercado de espinhos,
sob um céu limpo, azul-marinho.

Um dia chego inteira, desfeita, refeita,
até que a maré me apague e me reescreva;
é ela quem me leva embora
e a mesma que me devolve — aqui, agora.

Entre idas e vindas, eu me invento,
desaprendo o medo, reaprendo o vento;
sou rastro, sou passo, sou travessia,
sou verso perdido que insiste em poesia.

Feliz como um passarinho,
persigo melodias no ar a assobiar;
leve, quase como um segredo,
deixo a vida em mim se reinventar.

Feliz — como ouso dizer —,
sem medida, sem garantia:
porque, mesmo em meio ao caos,
agora a vida é fantasia.

06 maio 2011

Entre o vento e o abismo

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Nada me é mais difícil de suportar do que a mim mesma. Diante de um simples olhar, eu me perco; ao menor sopro de vento, já corro como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. Assim enxergo — e desfiguro — o mundo.


Desfaço-me por inteiro, sem medida. Mas, ainda assim, ninguém me disse para calar o coração. E, mesmo que eu pedisse perdão, nada seria capaz de aliviar o peso dessa alma em apuros, que cala mais do que consegue dizer.

Mundos perdidos

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Há dias em que tudo falha — dias em preto e branco, lançados às faces cansadas do vento. A chave do coração se perde e os sentimentos, sem rumo, se desesperam. Tudo tem um gosto amargo, um desgaste contínuo. Desgosto? Talvez apenas a vida em sua forma mais indiferente: desanda sem dizer, enquanto o mundo segue intacto, sem sequer estremecer.

Ele grita liberdade — e tu, por dentro, te tornas cárcere. Chove… e chove… como se o tempo insistisse em se repetir no mesmo compasso cinza. Três segundos já não são os mesmos; transformam-se em outros tantos mundos, estranhos e distantes. Ainda assim, a vida prossegue — não melhora, não piora: apenas continua.

Padrões se sobrepõem a padrões, pedidos de perdão ecoam sem resposta, como canções sem refrão. E, no meio disso tudo, restam mundos perdidos — fragmentos de algo que talvez nunca tenha sido inteiro.

02 maio 2011

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Surpreenda todos aqueles que não acreditaram em você.
 

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