28 abril 2012

Ressaca

É a queda no abismo e o fundo do poço, mas também o baú de ouro ao fim do arco-íris. Um artefato simples de emoção que rege e irriga cada pensamento possível. Por ele, escoam todos os sentidos, impregnando os nervos, tensionando os instintos e estremecendo o coração.


É imperfeito, imaturo, inigualável — e ainda assim inalcançável. Inconstante, fascinante, surpreendente. Indomável e impuro; ao mesmo tempo ameaça e sobrevivência. Imprevisível, exaustivo, incansável, inseguro.

É como uma ressaca: turva, intensa, inevitável — aquela que pesa na cabeça no dia seguinte. É motivo de lágrimas, de morte simbólica, de vida pulsante. Não se submete à escolha. Apenas acontece.

Em cada visão, cada aroma, cada suspiro, desperta algo tão legítimo quanto inaceitável — extremos que se encontram e se tornam um só. É intrínseco e contraditório: pecaminoso e puro, vivo e cálido.

É caos e abrigo. Desespero e afeto. Amor, tristeza, felicidade, desprezo, cuidado, perigo. Verdade e mentira. Incerto e, ainda assim, preciso. É mundo. É mente.

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