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18:24
09 dezembro 2010
Outono
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Renata F.
Minha paixão pelo outono nunca foi compreendida — e talvez se perca comigo. Em tempos tão apressados, poucos ainda enxergam de verdade; quase ninguém se detém para respirar o ar que anuncia um novo ciclo.
Não me considero sábia, mas há algo na queda das folhas que me fala como nada mais: quando tocam o chão ou dançam ao vento, carregam uma beleza silenciosa, quase secreta. As cores se espalham como emoções — ora marrom, ora vermelho, ora amarelo — cada estação com seu próprio modo de existir.
Há, nisso tudo, um conforto raro: a promessa de mudança, de ventos novos, de um tempo que se renova. Uma calmaria que o mundo, em sua pressa, parece incapaz de oferecer.
Carrego essa sensação desde a infância, de dias que já não voltam. Mais jovem, encontrava um consolo estranho e doce ao ver as folhas caindo sobre o gramado quente, tão perto de mim — a sombra tranquila contrastando com a leve euforia do momento. Suspirava por essa vida simples, desejando senti-la sempre, ao despertar ou ao adormecer.
Talvez ninguém compreenda plenamente esse amor, nem a pureza que ele guarda. E, ainda assim, espero que permaneça intacto — mesmo que apenas em mim.
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