21 dezembro 2016

Resoluções de ano novo?

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                   O ano de 2016 voou como um pássaro lutando pela sua liberdade. Aos meus olhos, passou deixando muitas marcas. No meu coração, uma lembrança, uma ferida e uma felicidade. Foi um ano de muitas emoções e também de muitas descobertas; emocionei-me com o fim de uma era, que se fez inesquecível dentro de mim, mas, a passos lentos, caminha em direção a indiferença, passos que me levam para uma nova vida; chorei de alegria ao descobrir a força de uma amizade na vida de alguém. A minha resolução de ano novo não é fazer uma lista de coisas que quero que o novo ano me traga, pois o futuro não pertence a mim, apesar de ainda ter certeza sobre a quem pertence, mas sim refletir sobre tudo que passei esse ano, como isso influenciou minha vida, minhas decisões e minhas escolhas; como as situações me fizeram crescer, enquanto pessoa, enquanto amiga e enquanto família. Aqui vai a minha lista: 

1. Esse ano posso dizer que aprendi a amar; amor esse que dificilmente vai embora, que me mostra o que a vida realmente é e o que ainda pode vir a ser. Amor esse que me fez pensar adiante, em um futuro que não me prende no presente nem no passado, ainda que não possa deles me desligar, e que me mostra o que é ser feliz, mesmo diante dos grandes obstáculos impostos. Entretanto, parte desse amor também se mantém impenetrável, tentando se soltar das amarras da saudade, da tristeza e da solidão de um alguém ausente, tão ausente que chega a doer. 

2. Esse ano posso dizer que aprendi a acreditar; acreditei em mim mesma e no poder uma amizade forte e verdadeira, quando achei que tudo estava perdido; acreditei nas pessoas certas, pessoas maravilhosas que me fizeram ressurgir de um período sombrio, fizeram-me enxergar a vida bonita que se desenrola todos os dias na minha frente e que mostraram que o amor, ainda sim, existe; acreditei, então, nele também, no amor, que me deu a força necessária para recomeçar, começando por tudo aquilo que eu, um dia, perdi. 

3. Esse ano aprendi que problemas virão e irão, mas a forma como eu lido com eles é que ficará para sempre. Não lidei da melhor forma com a maioria dos problemas que me deparei, mas encontrei um jeito de superá-los dentro do meu coração e encarar de frente aquilo que esbarrava em mim. Esse ano foi muito difícil, em todos os aspectos da minha vida, mas para quem chegou a acreditar que nada melhoraria o ano quase findo, ele está terminando de forma positiva e cheio de esperanças; não suficiente, mas satisfatória, por enquanto.

4. Esse ano descobri a esperança: quando faltaram forças, ela me manteve viva. Quando quis mudar de atitude, mas não sabia como, ela me mostrou o que fazer. Hoje, mantenho a mente aberta para coisas que antes só via como distante do meu mundo, percebendo que. ainda que não haja crença, a participação pode ser positiva e bastante enriquecedora. 

5. Por último, posso dizer que esse ano, acima de tudo, eu aprendi a ser verdadeiramente feliz. Ainda que várias situações tenham me deixado triste e desesperançosa, o importante foi saber que eu consegui deixar a felicidade me vencer e essa felicidade me mostrou que a vida, ainda que difícil, pode ser viva; basta querer viver. 

Resolução de ano novo? Que esse ano termine para todos melhor do que tenha começado, que o Natal seja um recomeço e momento de inspiração e reflexão e que o ano novo seja apenas um dos muito bons dias que virão pela frente.

26 setembro 2016

Eu

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Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. –
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

(Fernando Pessoa)

20 setembro 2016

Deserto

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                     No silencio da noite, eu me percebo pensando o quanto é difícil ser solitária. Não sozinha, bem longe disso, pois sei ser cercada de pessoas maravilhosas; nem desacompanhada, pois ainda tenho poucos bons amigos. Apenas solitária, só e um tanto quanto desorientada. É uma sensação vazia não se encontrar na presença de outras pessoas, que não querem outra coisa senão te fazer companhia na solidão da tua presença. É estranho ser vulnerável diante das pessoas que tentam te desvendar, quando você na verdade não sabe como se achar no meio desse pátio escuro e frio que é a solidão. A alma chega a doer, às vezes. Mas, na verdade, essa sensação me apavora. Apavora-me também a constante sensação de perseguição; pensar que isso pode me acompanhar por toda a minha vida. E expor-me parece-me ser ainda pior; é como dançar: todos estão ali para te ver, mas poucos estão realmente ali contigo para entender as estranhezas do teu ritmo. E antes de eu saber definir se gosto dessa dança ou se a repúdio, eu acabo me despertando para a única vida que pulsa dentro de mim: solidão.

08 setembro 2016

Coração partido

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Eu já não sou mais a mesma pessoa de uns anos atrás. O amor tomou conta de mim e fez de meu corpo sua morada. Cada nervo meu queima ao sentir esse sentimento, tão puro e tão real, correndo pelas minhas veias. Esse mesmo amor, que chegou fácil e simples, fez-me feliz, abraçou-me e tomou toda a minha vida e minha alma por completo durante muito tempo. O problema é que ainda toma até hoje, mas agora não mais posso dividi-lo. Agora, eu estou por conta própria, com minha alma e coração em frangalhos, tentando esquecer alguém que não quero esquecer. Acredito que essas foram as duas coisas mais difíceis que tiver que fazer na vida. Deixá-lo e deixar de amá-lo.

Imagem de girl, legs, and photography

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"Eu realmente acredito que, embora o amor possa ferir, ele também seja capaz de curar".

Um Porto Seguro

Dia nublado

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Mais uma manhã se levanta lá fora, mas eu não encontro coragem para levantar também e apreciar a beleza desse novo dia. Minha mente acordou um pouco cinza e nublada, levemente atordoada pelos pensamentos e sentimentos difíceis da última noite, igualmente combinando com o dia lá fora, de nuvens pesadas e sol escondido, como logo pude perceber ao olhar pela janela.

Hoje eu acordei com vontade de esquecer tudo e manter minha mente fora do ar o dia inteiro. Pego, então, um livro que estava jogado na minha mesa, começado, mas ainda não finalizado, para desfrutar das palavras e da história que ali se encontram e assim conseguir desviar dos caminhos perigosos os quais a minha mente quer me levar, simplesmente para viver uma história que não seja a minha. Só por um momento, entrar na vida de um outro alguém para deixar de lado as minhas dores e feridas. Era ali dentro daquela vida que eu queria estar vivendo a minha, sendo outra pessoa que não mais eu, vivendo histórias diferentes das minhas e conhecendo lugares distintos daqueles onde me encontro. 

Uma página em branco, começando a contar do zero a historia de um personagem totalmente novo.

Imagem de book, girl, and lake

Daí então, começa a chover lá fora. 

29 agosto 2016

Longe da escuridão

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                A escuridão faz diferentes reações nas pessoas. Algumas se desesperam diante dela. Não sabem o que fazer nem por onde ir. A esperança facilmente vai embora e o coração é um montante puro de medo e terror. É como o fim do mundo, por assim dizer. Para outras, a escuridão é apenas diversão, somente mais uma coisa a ser enfrentada. Covardes versus corajosos. Eu não sou nenhum dos dois. Para mim, a escuridão é uma mistura de sentimentos vivos que se materializava através de lágrimas. Por isso, a minha visão era um pouco desfocada e mesmo quando o sol nascia, eu só via e vivia escuridão. Mas o que eu posso dizer sobre sentimentos quando os mesmos me enganaram da forma mais mesquinha possível? Eu vi dor e felicidade em uma mesma sentença. Vi também o porquê de as estrelas só aparecerem na escuridão da noite; é porque até a Lua tinha companhia.
                   Mas foi no calor de um momento intenso de escuridão que fiz perceber a mim mesma dentro de um grupo de pessoas que simplesmente existiram na minha vida. Simplesmente porque se importaram. Por mais que a solidão faça parte de mim hoje, não sei expressar em palavras o quanto pude me sentir abraçada por poucas pessoas, mas essenciais, em tão curto espaço de tempo. Eu me vi abraçada, afagada e enlaçada nos braços de tanta gente, que tomaram conta de mim e das minhas dores por motivo nenhum em especial, apenas porque eu precisava, e levaram de mim meus pensamentos hostis, abrindo caminho para me permitir ser feliz. E a força desse carinho me deu força para encontrar uma luz: amigos. Foi no calor de um momento intenso que encontrei o calor da amizade. 
              Eu sabia, então, que nada mais me lembraria o medo da solidão que eu senti há algum tempo atrás, pois foi quando essas pessoas começaram a fazer e acontecer em minha vida. A mesma vida que antes era vazia, onde apenas eu mesma me fazia companhia, agora era cheia de esperança, apesar de a minha vida ainda deturpar um pouco as coisas que sinto e bagunçar bastante a minha mente. Mas de fato eu sabia ser esse justamente o motivo pelo qual esse medo da solidão nunca mais retornaria para mim. Elas simplesmente apareceram e nunca mais a minha vida foi a mesma, porque cada uma delas me fez sentir, o que era uma coisa totalmente nova para mim dentro da minha solidão. Fizeram-me sentir medo de perdê-las.

Imagem de moon, black and white, and hands

Dedicado especialmente à seis pessoas que me ressurgiram das sombras: R, R, J, V, V, A.

Silêncio

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É uma sensação estranha perceber quantos sons existem ao seu redor que não eram nem mesmo escutados ou notados antes. Sons esses que são quase barulhos agora, pois não representam mais o mesmo significado de antes. Ganharam um tom novo, mais parecido com o nada. Só então que me percebo cercada por um silêncio ensurdecedor, não encontrando mais harmonia nem na música que antes era o conforto do meu coração. Esses sons barulhentos se estendem pelo dia todo, terminando apenas com o cair dos meus olhos adormecidos pelo cansaço merecido.


Incomoda-me, então, o barulho de uma porta se abrindo, que já não traz mais alguém que eu queria perto de mim; incomoda-me o barulho de uma mensagem ou ligação no celular, que eu já sei não ser de alguém de um passado tão presente; incomoda-me o barulho de uma música antiga, que representou a vida de uma história toda; incomoda-me o barulho das lágrimas caindo na mesa de vidro, escorrendo pelo rosto triste e encharcadas de solidão. Incomoda-me até o mais simples dos barulhos, e também o mais gritante e sufocante de todos - o barulho do silêncio, que surge depois de todos os barulhos irem embora e ressurgirem nos próximos minutos. Sem dúvida nenhuma, o mais difícil de escutar e aquele se repete todos os dias desde então.

23 agosto 2016

Barulho de madrugada

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A lua gira em torno de um quarto sem esperança. Uma noite longa e repleta de reflexões umedecidas pela silêncio está por vir.  Os carros solitários passam na rua à uma da manhã, levando a angústia dos que jogaram suas mágoas em um poço vazio e esperam apenas que o sol renasça na sua janela algum dia. Tudo parece normal. As mesmas luzes dos postes na rua, enriquecidos pelos voos sonolentos dos mosquitos; as tristes nuvens pairando no ar, tentando adormecer com a música trazida pelos ventos; o angustiante e assustador balanço das árvores e seus galhos, sempre acompanhados, sempre vivos. O mundo está parado. Mas é nessas horas que o coração acorda. Um barulho chato incomoda todos os meus pensamentos. Saudade, saudade, amor. Sentimentos que martelam o peito, antes inchado, quase se afogando em águas calmas, porém cintilantes. Hoje, essas mesmas águas permanecem, transbordando, agitadas... com a mínima possibilidade de se aquietar. As imagens vêm, tentando formar um sentido e encontrar um significado. Não há para onde fugir, a cabeça sempre volta para o mesmo lugar.

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