25 julho 2010

Liberdade

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E quanto à liberdade — essa que tantos buscam, enfrentam, perseguem? Quantos já doeram por ela? Ser livre é encarar o mundo sem recuar — no desafio, no erro, no recomeço. É viver o mundo sem esquecer de viver a própria vida. Não importa o caminho: o fácil e o difícil guardam suas pedras. Pontes são raras. Ainda assim, que chegue o dia em que amanheçamos livres — livres para amar o mundo.

Queridos sonhos

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Sou uma sonhadora, sim. Em tempos duros, abandonei o rumo. Em tempos de guerra, fugi. Mas, quando a luz aparecia, eu sorria — e sonhava ainda mais. Sonhava para lembrar a mim mesma que existe um paraíso possível, ainda que só dentro de mim. Nos sonhos, encontrei um mundo onde não tenho medo de errar, de falar, de ser julgada. É lá que respiro com liberdade. Sonho para tocar esse lugar — mesmo que seja apenas no silêncio do inconsciente. Sonho para dizer que, de algum modo, já fui feliz. Não sei ao certo por que sonho. Talvez para fugir, talvez por necessidade. Talvez porque seja o único jeito de viver plenamente. Lá, sou inteira. Tenho coragem. Faço o que, aqui, ainda me assusta. Mas, às vezes, eu queria que não fosse só sonho. Queria que fosse real.

24 julho 2010

A poesia da escrita

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Poucas coisas na vida realmente valem a pena. Poucas coisas sabem compreender ou se fazer compreendidas; poucas têm a delicadeza de nos fazer felizes ou de transformar a vida em algo maior do que ela parecia ser. São raras as coisas capazes de atravessar a confusão dos sentimentos e, ainda assim, nos devolver um pouco de clareza.

Escrever chegou até mim como uma nuvem: leve, silenciosa, quase imperceptível. E, no entanto, cheia de forma e de sentido. Escrever é como encontrar respostas justamente quando mais preciso entender a mente e o coração — sobretudo para entender a mim mesma e tudo o que existe dentro desse território estranho que sou eu. É um lugar feito de mistério, simplicidade e caos.

Quando escrevo, começo a pensar em quem eu sou. Mas, mais do que isso, penso em quem eu poderia ser — e também no mundo que eu gostaria que existisse. Talvez isso seja uma tolice. Ou talvez seja apenas a melhor forma de agonia: aquela que inquieta, mas também ilumina.

Escrever é um julgamento silencioso. Um passatempo que se transforma em prazer eterno. É brincadeira e, ao mesmo tempo, algo profundamente sério. Algo que ninguém jamais conseguiu decifrar completamente — nem mesmo os maiores escritores e poetas do mundo.

Escrever é um espelho e também uma porta. É onde me encontro quando me perco. É onde posso dizer aquilo que o silêncio não consegue guardar. Talvez escrever seja, no fim das contas, uma forma de existir. Porque, quando escrevo, construo um pequeno território onde posso viver com liberdade. Um lugar onde os pensamentos não precisam pedir permissão para nascer.

E é por isso que hoje eu sei: sou cidadã desse lugar. E, acima de tudo, sou minha própria cidadã.

Um último dia

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Bom seria viver como se cada dia fosse o último.


Porque aí você percebe que esta seria a sua última noite, que aquele pôr do sol talvez fosse o último a colorir o céu diante dos seus olhos, que este amor poderia ser o último amor vivido com alguém. E, diante disso, a pressa perderia o sentido. A última chance de prestar atenção no mundo e perceber ser ele ainda um mundo inteiro a descobrir; ser este um mundo invisível, jamais visto por esses olhos acostumados com o dia-a-dia - mas não com o último dia. No último dia, o olhar mudaria. Você perceberia, então, o que não é perceptível aos olhos da rotina. Passaria a perceber aquilo que antes parecia invisível: o silêncio entre duas palavras, o calor de um abraço, o vento tocando o rosto, a beleza escondida nas pequenas coisas que sempre estiveram ali, mas que raramente para para notar. Também perceberia que já não tem controle sobre tudo. Que a vida nunca coube exatamente nos planos que fez para ela. E que muitas coisas que um dia saíram do lugar talvez nunca voltem aos eixos que imaginava. Mas, curiosamente, isso deixa de importar. Porque, quando se vive como se fosse o último dia, não se perde tempo tentando consertar o que já passou. Vive-se. Vive-se sem medo de errar. Sem medo de sentir. Sem medo de amar. E então o dia termina. Mas a vida - generosa - nos concede mais um amanhecer. E acordamos novamente para viver, outra vez, como se fosse o último dia.

23 julho 2010

Meias palavras

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"A função da palavra é representar partes do pensamento humano, e por isto ela constitui uma unidade da linguagem humana".


          Palavras podem ser tudo ou nada. Podem nascer leves e, ainda assim, carregar o peso de uma vida inteira. Palavras podem fazer se arrepender. Palavras podem confundir caminhos. Palavras levam ao sucesso ou empurram alguém para o fundo do poço. Palavras magoam, ofendem e causam desentendimentos - mas também abrem portas, constroem amizades e criam laços que atravessam o tempo. Palavras explicam, aperfeiçoam, encantam. Às vezes, são capazes até de reparar aquilo que um gesto não conseguiu corrigir. Elas evoluem com o mundo e fazem o mundo evoluir com elas. Surgem e deixam surgir novas ideias, novos sentimentos, novas histórias. São as palavras que dão magia aos livros, melodia às frases e significado às coisas que, sem elas, permaneceriam mudas. Elas podem afastar pessoas ou aproximá-las para sempre. Palavras fazem refletir. Acolhem e também ferem. Inventam e desinventam. Podem ser amáveis ou duras, delicadas ou bruscas. Podem criar - ou destruir. Palavras podem dizer muito ou quase nada - mas ainda assim conseguem traduzir aquilo que existe de mais profundo dentro de nós. Palavras fazem as guerras ou alcançam a paz mundial. Palavras trazem sorrisos ou lágrimas. Palavras podem ser apenas palavras ou podem ser maiores do que uma vida inteira. Com palavras, pode-se tudo, apenas não se pode ficar mudo.
 

(Re)inventando © 2010

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