24 julho 2010

Um último dia

Bom seria viver como se cada dia fosse o último.


Porque aí você percebe que esta seria a sua última noite, que aquele pôr do sol talvez fosse o último a colorir o céu diante dos seus olhos, que este amor poderia ser o último amor vivido com alguém. E, diante disso, a pressa perderia o sentido. A última chance de prestar atenção no mundo e perceber ser ele ainda um mundo inteiro a descobrir; ser este um mundo invisível, jamais visto por esses olhos acostumados com o dia-a-dia - mas não com o último dia. No último dia, o olhar mudaria. Você perceberia, então, o que não é perceptível aos olhos da rotina. Passaria a perceber aquilo que antes parecia invisível: o silêncio entre duas palavras, o calor de um abraço, o vento tocando o rosto, a beleza escondida nas pequenas coisas que sempre estiveram ali, mas que raramente para para notar. Também perceberia que já não tem controle sobre tudo. Que a vida nunca coube exatamente nos planos que fez para ela. E que muitas coisas que um dia saíram do lugar talvez nunca voltem aos eixos que imaginava. Mas, curiosamente, isso deixa de importar. Porque, quando se vive como se fosse o último dia, não se perde tempo tentando consertar o que já passou. Vive-se. Vive-se sem medo de errar. Sem medo de sentir. Sem medo de amar. E então o dia termina. Mas a vida - generosa - nos concede mais um amanhecer. E acordamos novamente para viver, outra vez, como se fosse o último dia.

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