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21:44
24 julho 2010
A poesia da escrita
Postado por -
Renata F.
Poucas coisas na vida realmente valem a pena. Poucas coisas sabem compreender ou se fazer compreendidas; poucas têm a delicadeza de nos fazer felizes ou de transformar a vida em algo maior do que ela parecia ser. São raras as coisas capazes de atravessar a confusão dos sentimentos e, ainda assim, nos devolver um pouco de clareza.
Escrever chegou até mim como uma nuvem: leve, silenciosa, quase imperceptível. E, no entanto, cheia de forma e de sentido. Escrever é como encontrar respostas justamente quando mais preciso entender a mente e o coração — sobretudo para entender a mim mesma e tudo o que existe dentro desse território estranho que sou eu. É um lugar feito de mistério, simplicidade e caos.
Quando escrevo, começo a pensar em quem eu sou. Mas, mais do que isso, penso em quem eu poderia ser — e também no mundo que eu gostaria que existisse. Talvez isso seja uma tolice. Ou talvez seja apenas a melhor forma de agonia: aquela que inquieta, mas também ilumina.
Escrever é um julgamento silencioso. Um passatempo que se transforma em prazer eterno. É brincadeira e, ao mesmo tempo, algo profundamente sério. Algo que ninguém jamais conseguiu decifrar completamente — nem mesmo os maiores escritores e poetas do mundo.
Escrever é um espelho e também uma porta. É onde me encontro quando me perco. É onde posso dizer aquilo que o silêncio não consegue guardar. Talvez escrever seja, no fim das contas, uma forma de existir. Porque, quando escrevo, construo um pequeno território onde posso viver com liberdade. Um lugar onde os pensamentos não precisam pedir permissão para nascer.
E é por isso que hoje eu sei: sou cidadã desse lugar.
E, acima de tudo,
sou minha própria cidadã.
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