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01:22
25 novembro 2010
Por uma memória
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Renata F.
Saudade. Era a única palavra capaz de traduzir o que restou daquele tempo — de uma amizade que um dia foi abrigo, feita de companheirismo, sinceridade e, sobretudo, amor. O que antes era presença viva, naquele instante se reduzia a distância, dor e silêncio. E saudade. Quanta saudade.
Saudade do tempo em que eu podia chamá-la de amiga — sem hesitar, sem medo — essa palavra tão inteira, agora entregue a uma desconhecida. Dela, que acolhia meus medos e meus suspiros; que me abraçava com um afeto tão leve que fazia tudo parecer suficiente. Com ela, eu não estava só. Eu tinha alguém no mundo.
“Amigas para sempre”, dizíamos. Mas o “para sempre” foi breve demais. Ainda assim, os nossos momentos permaneceram: as tardes desperdiçadas juntas, revelando segredos bobos e profundos; as risadas soltas, os choros partilhados, as brigas seguidas de perdão. Descobrimos o mundo lado a lado — e isso nunca deixou de existir em mim.
Eu pensei que já tinha superado. Que o tempo havia levado consigo tudo o que doía. Mas estava enganada: o sentimento não foi embora, apenas se recolheu, adormecido. Bastou um encontro de olhares — tão familiares e, ao mesmo tempo, tão distantes — para que tudo voltasse. As memórias vieram como chuva forte. E, com elas, a saudade, inteira outra vez.
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18:22
Um estado de espírito estranho emerge das profundezas e se expõe a uma luz contínua e ofuscante. É uma tristeza sutil, mas suficiente para fazer nascer novos sonhos — como se a alma insistisse em recomeçar.
24 novembro 2010
Sonhos adormecidos
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Renata F.
Alguns dos maiores sonhos se escondem nas dobras da mente, disfarçados de esquecimento. Ali permanecem, silenciosos, até que a realidade — áspera e repentina — irrompe e assusta até o mais frágil deles.
Na pressa de viver, surge a dúvida: haverá tempo para guardar, intacto na memória, todo o esplendor de um mundo novo, sem que ele se perca no caminho?
Um estado de espírito estranho emerge das profundezas e se expõe a uma luz contínua e ofuscante. É uma tristeza sutil, mas suficiente para fazer nascer novos sonhos — como se a alma insistisse em recomeçar.
E, nos últimos segundos que resistem, resta a pergunta: irão despertar novamente para a vida… ou apenas voltar a dormir — desta vez, para sempre — afundando no mais profundo dos sonhos?
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21:48
19 novembro 2010
Restos de amor
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Renata F.
A verdade? Eu me esqueci do amor. Escolhi deixá-lo ir, rendi-me ao cansaço — e agora me arrependo. Foram longos dias de silêncio… Hoje, meu sorriso disfarça lágrimas, porque, no fundo, eu só quero amar. Quero o amor de volta: sem arrependimentos, sem solidão.
Não sei existir num mundo que não pulsa dentro de mim. Há um coração aqui, insistente, ardente, recusando-se a se calar. Talvez eu me perca por causa de um amor — e isso parece inevitável. Vejo minha alma onde não queria vê-la, exposta, sem abrigo.
Não é sobre perfeição. É sobre ausência de respostas. E, no meio disso tudo, descobri um segredo: guardo comigo um frágil pote de faz-de-conta, cheio de ilusões — e é dele que ainda tento viver.
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21:53
15 novembro 2010
A voz que falhou
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Renata F.
Tudo cessa de repente, e só então me dou conta de uma única verdade: não há nada aqui. Aos poucos, infiltra-se em mim a suspeita de que talvez nunca tenha havido. Um vazio iluminado pela lua, um vento sem destino, sem lugar onde pousar. Um coração em ruínas, respirando com dificuldade, ainda tentando resistir. Mas quem mais percebe isso?
A consciência de não ter enxergado sequer metade do mundo aperta minha alma — agora em frangalhos. Ela chora, corrói, se desfaz em silêncio. Ainda há algo pulsando forte dentro de mim, mas o sonho se perdeu: aquele futuro que, há um instante, parecia tão real. As palavras foram ouvidas, mas minha voz falhou — ou pior, me traiu.
Deixei para trás os devaneios, ignorei as consequências e me lancei. A queda foi longa, funda, perigosa — e, no fim, não havia nada que valesse o salto. Afundei nas próprias profundezas e, mesmo nadando até o limite, alcancei apenas a beira de um vazio.
E então tudo para outra vez. E outra vez eu entendo: não há nada aqui.
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21:37
09 novembro 2010
Fantasmas
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Renata F.
Sabe qual a sensação de estar sozinha em casa? Vazia.
Sem companhia, meio perdida — só você e a própria alma, cercada por fantasmas. É assustador mesmo assim: eles estão por toda parte. Ainda que invisíveis, fazem-se sentir — sussurram canções sombrias, sopram ventos frios, percorrem o ar como presságios. Assombram o dia, invadem a noite, alimentam-se do medo como se fosse abrigo. E, num instante quase mágico, desaparecem ao menor sinal de um coração vivo por perto.
Eu já contei alguns dos meus. Cheguei a, no mínimo, sessenta. Um para cada dia dos dois intermináveis meses de solidão. Um para atravessar cada dia de saudade — ou para que ela me atravessasse. E não há como apressar o tempo; ele é teimoso, insiste em seguir seu próprio ritmo, indiferente ao que pesa dentro de mim.
Lá fora, os ventos também se apressam. Passam pela minha porta repetidas vezes, sempre no mesmo compasso inquieto. Talvez seja tolice notar isso no silêncio de uma casa, mas é a única coisa que ainda faz algum sentido perceber. Não faz sentido observar as árvores lá fora, dançando ou se escondendo umas das outras. Não faz sentido buscar companhia na televisão. Os livros já não acolhem como antes, e os espelhos — esses ferem — porque não refletem mais duas imagens, apenas uma: isolada, carregada de solidão, tristeza e pensamentos que não cessam.
O telefone toca, perdido no vazio, e o eco incomoda mais do que o silêncio. Nada disso é real o bastante. Nada disso protege como a presença de alguém ao lado, segurando a sua mão, dissipando o medo.
E a saudade, quando aperta, não hesita: escorre em lágrimas no meio do silêncio — e se mistura aos fantasmas que agora habitam o meu próprio coração.
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22:24
05 novembro 2010
Sem roteiro
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Renata F.
Eu só quero viver — sem a obsessão por um destino, sem medir cada passo como se a vida fosse um roteiro rígido a cumprir. Se chove ou faz sol, se o mundo treme ou o vento vira furacão, pouco importa. O que eu quero é aprender com a vida: enfrentá-la, crescer com ela, moldá-la com as próprias mãos. Descobrir o que é meu e cuidar disso com delicadeza. Quero encontrar um amor, vivê-lo por inteiro, sorrir, ser feliz — mesmo que não seja eterno. Ainda que o tempo mude tudo de lugar, ainda assim quero sentir cada instante como se fosse completo. Quero mais luz, mais energia, mais presença. Quero sentir o cheiro doce do chocolate e enxergar o mundo com os olhos curiosos de uma criança — com a inocência que ainda acredita na beleza escondida nas coisas simples. Porque a beleza existe, até nos lugares mais sombrios. E eu quero vê-la. Quero sentir o que chamam de aventura, desvendar essa explosão invisível que vive em mim — alegria, paixão, intensidade — mesmo sabendo que, às vezes, o caminho também passa pela dor de um coração partido. Quem sabe um dia eu encontre um mar cor-de-rosa? Um arco-íris de dez cores, um trevo de seis folhas. Quem sabe eu veja o verde se tornar branco e me encante ao ouvir poesia misturada ao som do rock. Quero chorar ouvindo uma música triste, mesmo que isso contrarie tudo o que esperam de mim. Quero atravessar limites, quebrar regras, sem medo de ser contida ou diminuída. Eu preciso disso tanto quanto preciso respirar. E vou seguir em busca dessa vida — mesmo que, no caminho, eu precise deixar algumas certezas para trás.
Porque, no fim, o amanhã pode esperar. Hoje, eu só quero viver.
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21:16
Dores ao relento
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Renata F.
Hora após hora. Dia após dia. Silêncio após silêncio.
Meses se arrastaram — carregados de amargura, ressentimento e culpa — e ainda assim, nenhuma explicação que fizesse sentido. Tentei ser sensata, mas isso não me levou a lugar algum. Eu admirei, cuidei e amei alguém por anos… e, de repente, tudo se desfez. Assim, sem aviso, sem motivo aparente.
Quantas vezes esperei o dia terminar só para voltar para casa e encontrar braços abertos, um refúgio que existia independentemente de qualquer coisa. Eu conheci um apoio raro, fiel, quase impossível de explicar. Eu sabia o que era sorrir de verdade. Sabia — e agora não sei mais quando vou sentir isso outra vez.
Não haverá mais o som da respiração suave ao meu ouvido. Nem o conforto de um abraço à minha espera no fim do dia. Nem sequer sei se ainda consigo ver o sol da mesma forma. O sol que iluminava nossos melhores momentos, nossos dias mais vivos.
Tudo o que era nosso foi arrancado de mim em questão de segundos. Um único instante — feito de lágrimas, gritos e silêncio depois. E, ainda assim, em meio à ausência, resta um desejo quase teimoso: o de ver um novo sol nascer… e, quem sabe, pousar de novo no horizonte da minha vida.
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20:41
02 novembro 2010
Por dias mais felizes
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Renata F.
Eu não espero felicidade, mas às vezes é inevitável.
Ainda não a encontrei por inteiro. Talvez apenas um fragmento, pequeno demais para me bastar. Não a possuo, e talvez nunca possua. Mas no dia em que eu acordar, abrir a janela e, ao olhar o sol, reconhecer a beleza de um dia simples, saberei que encontrei algo maior que a própria felicidade. Terá sido o sol, a chuva, as nuvens, a lua — a vida, enfim. E se eu não encontrar nada? Ainda assim… eu não espero a felicidade — embora ela, por vezes, seja inevitável. O que você vê em mim não é alguém feliz; é apenas um sorriso cansado, tentando ser livre. No fim das contas, há só uma coisa que realmente importa para mim: viver.
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