05 novembro 2010

Dores ao relento

Hora após hora. Dia após dia. Silêncio após silêncio.

Meses se arrastaram — carregados de amargura, ressentimento e culpa — e ainda assim, nenhuma explicação que fizesse sentido. Tentei ser sensata, mas isso não me levou a lugar algum. Eu admirei, cuidei e amei alguém por anos… e, de repente, tudo se desfez. Assim, sem aviso, sem motivo aparente.


Quantas vezes esperei o dia terminar só para voltar para casa e encontrar braços abertos, um refúgio que existia independentemente de qualquer coisa. Eu conheci um apoio raro, fiel, quase impossível de explicar. Eu sabia o que era sorrir de verdade. Sabia — e agora não sei mais quando vou sentir isso outra vez.

Não haverá mais o som da respiração suave ao meu ouvido. Nem o conforto de um abraço à minha espera no fim do dia. Nem sequer sei se ainda consigo ver o sol da mesma forma. O sol que iluminava nossos melhores momentos, nossos dias mais vivos.

Tudo o que era nosso foi arrancado de mim em questão de segundos. Um único instante — feito de lágrimas, gritos e silêncio depois. E, ainda assim, em meio à ausência, resta um desejo quase teimoso: o de ver um novo sol nascer… e, quem sabe, pousar de novo no horizonte da minha vida.

0 recados:

Postar um comentário

 

(Re)inventando © 2010

Blogger Templates by Splashy Templates