05 novembro 2010

Tempo livre


                Eu quero só viver, sem importar o objetivo. Sem medir cada passo como se a vida fosse apenas um plano a ser cumprido. Se chove, se faz sol, se o mundo treme ou se o vento resolve virar furacão, pouco importa. O que eu quero é aprender com a vida: lutar por ela, crescer com ela, construí-la com as próprias mãos. Encontrar aquilo que é meu e cuidar com carinho. Quero encontrar um amor, aproveitá-lo, sorrir e ser feliz. Não precisa durar para sempre. Mesmo que o tempo interfira, mesmo que o destino mude o rumo das coisas, ainda assim quero viver esse instante inteiro. Quero mais luz, mais energia. Quero sentir o cheiro doce do chocolate e olhar o mundo com os olhos curiosos de uma criança - com aquela inocência que ainda acredita na beleza escondida nas coisas simples. Porque ver beleza até nos lugares mais sombrios não é impossível. E eu quero ver. Quero sentir aquilo que chamam de aventura. Descobrir as milhares de partículas invisíveis que formam essa explosão dentro de mim - alegria, paixão, intensidade - mesmo sabendo que, às vezes, um coração partido pode surgir pelo caminho. Quem sabe um dia eu encontre um mar cor-de-rosa? Um arco-íris de dez cores, um trevo de seis folhas. Quem sabe eu veja o verde virar branco e me encante ao ouvir poesia misturada ao som do rock. Quero chorar ouvindo uma música romântica e melancólica, mesmo que isso contrarie todos os meus princípios — ou até os princípios do mundo inteiro. Quero quebrar as regras, atravessar limites, sem medo de ser impedida, presa ou diminuída. Eu preciso disso tanto quanto preciso da própria vida. E eu vou atrás dela até encontrá-la, mesmo que, no caminho, eu precise perder algumas certezas. Porque, no fim das contas, o amanhã pode esperar. Hoje, eu quero só viver.

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