20 setembro 2016

Deserto

                     No silencio da noite, eu me percebo pensando o quanto é difícil ser solitária. Não sozinha, bem longe disso, pois sei ser cercada de pessoas maravilhosas; nem desacompanhada, pois ainda tenho poucos bons amigos. Apenas solitária, só e um tanto quanto desorientada. É uma sensação vazia não se encontrar na presença de outras pessoas, que não querem outra coisa senão te fazer companhia na solidão da tua presença. É estranho ser vulnerável diante das pessoas que tentam te desvendar, quando você na verdade não sabe como se achar no meio desse pátio escuro e frio que é a solidão. A alma chega a doer, às vezes. Mas, na verdade, essa sensação me apavora. Apavora-me também a constante sensação de perseguição; pensar que isso pode me acompanhar por toda a minha vida. E expor-me parece-me ser ainda pior; é como dançar: todos estão ali para te ver, mas poucos estão realmente ali contigo para entender as estranhezas do teu ritmo. E antes de eu saber definir se gosto dessa dança ou se a repúdio, eu acabo me despertando para a única vida que pulsa dentro de mim: solidão.

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