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19:21
01 maio 2026
Travessia
Postado por -
Renata F.
Um dia, pensando na vida, parei para perceber que crescer não acontece de repente. Não é um dia específico, uma idade exata, nem um marco que a gente possa apontar no calendário e dizer: “foi aqui”. Crescer acontece aos poucos, quase em silêncio, como quem aprende a suportar o próprio mundo sem fazer tanto barulho.
Amadurecer, eu descobri, tem muito menos a ver com certezas e muito mais com despedidas. A gente se despede de versões antigas de si mesmo — aquelas que acreditavam em tudo, que esperavam demais, que insistiam onde já não havia espaço. E, no começo, dói. Dói perceber que nem tudo permanece, que nem todos ficam, que nem tudo o que a gente sonhou cabe na realidade.
Mas, aos poucos, algo muda. A gente começa a entender que crescer não é endurecer — é escolher com mais cuidado onde colocar o coração. É aprender que nem toda ausência precisa ser preenchida, que nem todo silêncio precisa ser quebrado, que nem toda história precisa de um final bonito para ter valido a pena.
Amadurecer é olhar para trás sem vontade de voltar. É carregar memórias com carinho, mas sem o desejo de revivê-las. É aceitar que algumas versões nossas só existiram porque eram necessárias naquele momento — e que deixá-las ir também é um ato de amor.
Tem dias em que crescer pesa. Pesa ter que ser forte, ter que entender, ter que seguir mesmo sem todas as respostas. Mas, curiosamente, também existe uma leveza nisso tudo: a leveza de não precisar mais provar nada; de não se moldar para caber. De finalmente se reconhecer — não como alguém que chegou a um destino final, mas como alguém que aprendeu a caminhar com mais verdade.
E talvez seja isso o amadurecimento: não um ponto de chegada, mas a coragem de continuar, mesmo sabendo que a gente nunca estará completamente pronto e, mesmo assim, tudo bem, porque crescer, no fundo, é isso — aprender a ser casa dentro de si.
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