28 abril 2026

Despedida

Confesso que não lembro como nossa amizade aconteceu. Um dia, entre contos de fada e brincadeiras, quando me dei conta, ela já estava lá — já era presença, dessas que parece que sempre esteve ali. Com o tempo, crescemos e a amizade também cresceu, tomando formas mais profundas — era algo que ocupava espaço demais dentro de mim. E justamente por isso que começou a doer quando vi que tinha mudado de forma e de tamanho. Percebi que nem sempre o que a gente sente encontra lugar no outro, e insistir, às vezes, é uma forma silenciosa de se perder.

Eu tentei ficar. Tentei ajustar o que sentia, fingir que cabia no mesmo lugar de antes. Mas alguns sentimentos não aceitam ser moldados. Eles ficam ali, insistindo, até que a gente precise encarar que não há mais saída.

E então eu fiz o que nunca imaginei fazer: fui embora. Não por falta de amor, mas porque continuar significava me machucar aos poucos, e também, de algum modo, me prender a algo que ela não podia devolver. Ir embora foi a única forma de preservar o que ainda restava de bonito, mesmo que à distância.

Hoje, quando penso em nossa amizade, não é a dor que fala mais alto. É a memória. É tudo o que foi real, tudo o que existiu de verdade. Algumas pessoas não ficam, mas deixam marcas tão profundas que continuam fazendo parte de quem a gente se torna. E, no fundo, eu sei: quando a amizade acabou, não apagou o que vivemos, mas manchou para sempre.

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