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19:59
01 maio 2026
Solidão da meia-noite
Postado por -
Renata F.
A lua entrou e me viu aqui no canto, sozinha e triste, e me disse: — Não posso afastar sua dor, mas eu estou aqui a noite toda por você. E ficou. Não disse mais nada, não tentou consertar o que nem eu sabia explicar, só derramou sua luz mansa pelo quarto, como quem entende que, às vezes, presença basta.
— Chora — ela sussurrou — sem pressa, sem vergonha, sem medo. E eu chorei. Chorei tudo que estava preso, tudo que não coube nas palavras, tudo que doía em silêncio e que ninguém entendia. A lua me ouviu sem interromper, como se cada lágrima fosse uma história que merecia existir.
E, aos poucos, sem que eu percebesse, a dor foi ficando mais leve, não porque sumiu — mas porque já não estava só. Antes de ir embora, quando o céu começou a clarear, ela me disse baixinho: — Eu volto amanhã… se você ainda precisar. E, pela primeira vez em muito tempo, a noite já não me deixava mais sozinha.
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