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09:07
02 maio 2026
Ecos do amor
Postado por -
Renata F.
Depois de vários relacionamentos, de todos os tipos, nunca consegui responder uma pergunta: o que vem depois de transbordar?
Talvez venha o silêncio. Não aquele silêncio vazio, mas o que fica quando tudo já foi dito, sentido, entregue. Um silêncio que ecoa dentro do peito, como se o amor, antes tão cheio, tivesse se espalhado para além de você — e não houvesse mais para onde voltar. Transbordou até esquecer das bordas. Me dei sem medida, sem cálculo, sem a cautela de quem teme o fim. Permiti que o outro ocupasse espaços que eu nem sabia que existiam. E, por um tempo, isso pareceu bonito. Pareceu suficiente. Pareceu infinito. Mas nenhum transbordar acontece sem consequências.
Depois que o amor ultrapassa o limite, resta lidar com o que ficou para trás. Os pedaços de mim que foram entregues, as versões e verões de mim que só existiam naquela presença, os hábitos, os planos, as palavras que agora não têm mais destino. E então o que fazer com tudo isso?
Há quem tente recolher o que derramou — tarefa impossível. Há quem feche as comportas do coração, prometendo nunca mais sentir tanto assim. Mas há também quem entenda que transbordar não foi erro, porque amar até transbordar, apesar de tudo, é prova de que havia vida pulsando ali. De que houve coragem. De que houve verdade. E depois?
Depois, eu entendi, talvez, seja o momento de aprender um outro tipo de amor. Um que não se esvazie para existir. Um que não precise perder-se para ser inteiro. Um amor que ainda seja profundo, mas que também saiba ficar. Depois do transbordo, a vida não acaba. Ela reaprende a caber.
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