15 maio 2011

Calado coração


Recebo-te de mãos vazias, braços abertos e a noite fria a me envolver. Trago no peito um coração ferido, desarmado — um coração que explode em silêncios, sem medida, sem razão.

O dia é belo, mas o céu insiste em se cobrir; e minha alma escorre por entre meus dedos, como algo que não sei mais conter. Corro atrás dela — essa alma alada, errante, desolada — como quem tenta resgatar a si mesma antes de se perder por completo.

Em meu rosto pálido, jaz um sorriso antigo, quase esquecido, desses que já não sabem se ainda pertencem ao presente. Ainda assim, espero — insisto em esperar. Há em mim uma esperança teimosa, frágil e persistente.

Mas esse muro que me cerca… esse muro erguido de medos, lembranças e silêncios — temo que jamais desabe. E, ainda assim, permaneço aqui, entre a espera e a entrega, como quem, mesmo ferido, não desaprendeu a sentir.

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