06 maio 2011

Mundos perdidos


Há dias em que tudo falha — dias em preto e branco, lançados às faces cansadas do vento. A chave do coração se perde e os sentimentos, sem rumo, se desesperam. Tudo tem um gosto amargo, um desgaste contínuo. Desgosto? Talvez apenas a vida em sua forma mais indiferente: desanda sem dizer, enquanto o mundo segue intacto, sem sequer estremecer.

Ele grita liberdade — e tu, por dentro, te tornas cárcere. Chove… e chove… como se o tempo insistisse em se repetir no mesmo compasso cinza. Três segundos já não são os mesmos; transformam-se em outros tantos mundos, estranhos e distantes. Ainda assim, a vida prossegue — não melhora, não piora: apenas continua.

Padrões se sobrepõem a padrões, pedidos de perdão ecoam sem resposta, como canções sem refrão. E, no meio disso tudo, restam mundos perdidos — fragmentos de algo que talvez nunca tenha sido inteiro.

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