13 maio 2011

Encanto


Uma canção boa de cantar,
mesmo sem uma nota a me agradar;
um coração cercado de espinhos,
sob um céu limpo, azul-marinho.

Um dia chego inteira, desfeita, refeita,
até que a maré me apague e me reescreva;
é ela quem me leva embora
e a mesma que me devolve — aqui, agora.

Entre idas e vindas, eu me invento,
desaprendo o medo, reaprendo o vento;
sou rastro, sou passo, sou travessia,
sou verso perdido que insiste em poesia.

Feliz como um passarinho,
persigo melodias no ar a assobiar;
leve, quase como um segredo,
deixo a vida em mim se reinventar.

Feliz — como ouso dizer —,
sem medida, sem garantia:
porque, mesmo em meio ao caos,
agora a vida é fantasia.

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