Lá fora, o mundo acontece sem tocá-lo. Os raios cortam o céu, mas não alcançam o chão frio da sala, contido pelas paredes espessas; o calor se perde antes de aquecer. O tempo deixa de ser medida — segundos, horas, dias se confundem — porque, no fundo, tudo se resume ao mesmo movimento: avançar sem sair do lugar.
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Lá fora, o mundo acontece sem tocá-lo. Os raios cortam o céu, mas não alcançam o chão frio da sala, contido pelas paredes espessas; o calor se perde antes de aquecer. O tempo deixa de ser medida — segundos, horas, dias se confundem — porque, no fundo, tudo se resume ao mesmo movimento: avançar sem sair do lugar.
05 março 2011
Passos secretos
Postado por -
Renata F.
Dentro de um círculo de pesadelos, ele caminha — e cada passo é um retorno, um eco insistente do mesmo erro. Não há começo nem fim, apenas repetição: vitórias que se desfazem antes de existir, razões que se perdem no próprio desencontro. Há um poço aberto na exata medida do seu abismo — não no chão, mas dentro dele — onde a realidade se dissolve em silêncio.
Ele avança, não por escolha, mas por impulso — à procura de algo que já não sabe nomear: um sentimento que se apagou, uma voz que não responde, uma paixão que resiste apenas como lembrança. E, ainda assim, em cada passo há um peso oculto — uma gratidão muda, quase incompreensível, por tudo aquilo que o feriu e o formou.
Lá fora, o mundo acontece sem tocá-lo. Os raios cortam o céu, mas não alcançam o chão frio da sala, contido pelas paredes espessas; o calor se perde antes de aquecer. O tempo deixa de ser medida — segundos, horas, dias se confundem — porque, no fundo, tudo se resume ao mesmo movimento: avançar sem sair do lugar.
O chão que pisa — alinhado, rígido, exato — suporta seus passos como se guardasse sua história. Ladrilhos encaixados na geometria da solidão. E, ainda assim, entre mil ruídos, o que permanece é um silêncio denso, absoluto, que diz mais do que qualquer grito.
Bastaria um instante de lucidez — uma fresta de luz, um sopro de vida. Tão pouco o separa da verdade, tão pouco do que foi perdido. Mas já não é sobre caminhar. É sobre encarar aquilo que ele sempre evitou: a verdade que o habita, a verdade que ele insiste, em cada passo, em não revelar.
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