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15:43
03 dezembro 2011
Princesa
Postado por -
Renata F.
Ao olhar para o céu, a noite fria já havia enfeitado as nuvens; a noite já havia se instalado com sua frieza serena, adornando as nuvens como quem veste um véu antigo. A lua, pálida e distante, dissolvera os contos de fada que o dia havia ensaiado — e, ainda assim, nada parecia conter a coragem súbita das estrelas, que insistiam em brilhar como se o amanhã não lhes fosse prometido.
Houve um tempo em que a lua me era íntima. Sua luz prateada me acolhia, desenhava caminhos suaves e me devolvia sorrisos que eu nem lembrava ter perdido. Mas, agora, as noites se estendem longas e densas — sem cor, sem calor, sem qualquer vestígio de vida.
Essas noites enganam os distraídos. Há quem as veja apenas como um lençol escuro lançado sobre o mundo, uma pausa silenciosa entre dois dias. Gente que não percebe o quanto nelas pulsa uma ambiguidade invisível — o mesmo escuro que assistiu ao nascimento da luz.
Essas noites também perseguem os sensíveis. Aqueles que não suportam o peso do escuro, que desejam apenas o céu aberto, claro, compreensível. Aqueles que se desfazem na ausência de vento, que se perdem quando tudo silencia demais.
E, ainda assim, há algo nelas que permanece.
Algo que não cede, que não desaparece, que não pede permissão para existir. Porque as noites não vieram para consolar — vieram para revelar. Para nos colocar diante do que evitamos ver à luz do dia. A noite pode parecer infeliz, pode parecer não ter vida — mas, às vezes, é justamente o que nos devolve a nós mesmos. E as noites sabem disso.
Por isso não partem.
Por isso resistem.
Porque, no fim, até as princesas — com todos os seus sonhos intactos — ainda precisam da escuridão para que o brilho de suas histórias faça sentido.
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1 recados:
Que texto lindo. Goooostei *_* haha
Seguindo seu Blog com prazer. Abraços.
papeldeumlivro.blogspot.com
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