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21:49
09 dezembro 2011
Porto da saudade
Postado por -
Renata F.
Tudo não passa de um porto. Um porto em preto e branco, gasto pelo tempo, inútil — desses que não levam mais ninguém, apenas devolvem lembranças.
Os bancos são os mesmos.
Os rostos, quase.
Nem os problemas se deram ao trabalho de mudar.
Caminho devagar, arrastando os passos por aquele lugar saturado de histórias. Cada canto guarda um enredo: ali, perto do cais, casais se desfaziam em discussões antes da partida — às vezes era ele que ia, às vezes ela. Mais adiante, um banco de madeira, torto e esquecido, ainda ocupa o exato lugar onde dois amantes costumavam se encontrar, como se esperasse, teimoso, por mais um abraço que nunca vem.
E eu me pergunto quando foi que esse espaço pequeno se tornou tão vasto de sentimentos, tão denso de ausências, tão cheio de coincidências que machucam.
Ah… o porto da saudade.
Tão fácil de reconhecer — do píer ao cais, tudo carrega o mesmo peso invisível. Foi daqui que uma vida partiu. E é aqui que permaneço, com lugar marcado num vazio silencioso, condenado à espera.
Espero.
E espero.
E espero.
O cansaço vem como maré alta.
E tudo o que eu quero é a vida que aquele navio levou — a mesma que ainda resiste, intacta, numa fotografia em preto e branco, pendurada na parede do meu coração.
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