14 outubro 2011

Ausências

Minhas falas se perderam pelo meio do caminho, como se nunca tivessem encontrado lugar para existir. Era como ter uma poesia engasgada, uma cantoria nunca ouvida, uma risada que morreu antes de nascer. E, ainda assim, foi no fundo dos teus olhos que algo se revelou. Não encontrei minhas palavras, nem minha música, nem qualquer verso que pudesse me explicar. Encontrei meus sentimentos — aqueles que não foram ditos, não foram escutados, não foram vividos como deveriam. Era como se tudo o que faltou em mim tivesse se tornado visível ali, no teu olhar. E isso, de alguma forma, doeu mais do que o silêncio. Porque perceber é diferente de expressar; entender não apaga o que ficou guardado. Talvez eu tenha me calado cedo demais. Talvez tenha esperado demais. Ou talvez existam coisas que simplesmente não aprendemos a dizer a tempo. Hoje, o que me resta não é mais a tentativa de recuperar o que se perdeu, mas de aceitar que nem tudo precisa de palavras para ter existido — e que, ainda assim, há ausências que continuam pedindo voz dentro de nós.

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