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14:41
18 julho 2011
Dê-me asas para voar
Postado por -
Renata F.
Por onde andaram as décadas da minha existência? Para onde foram as histórias de uma vida inteira? A juventude chegou tardia — ou talvez tenha passado por mim sem que eu percebesse. Estive alheia a mim mesma, incapaz de voltar no tempo, incapaz de recuperar o que não vivi. E então descubro: esses anos todos, eu não vivi. Eles ficaram parados nas fotografias em preto e branco de um álbum antigo, esquecido nas estantes empoeiradas da saudade. E, entre uma página e outra, havia vazios demais — fotos que nunca foram tiradas, momentos que nunca aconteceram. A vida seguiu, aparentemente intacta. Mas, no fundo, quase nada aconteceu. Algumas coisas resistiram nas lembranças que escolhi guardar; outras, deixei morrer em silêncio, quando decidi esconder o que sentia. Conheci o peso da dor antes de cair nos braços da tristeza — e afundar. Minha cabeça pendia, insistente. O tempo corria estranho: rápido demais, ilusório, sempre escapando. Um sentimento novo, impossível de substituir — e, ao mesmo tempo, profundamente agonizante. Não sei medir sua intensidade, só sei que ele me atravessou por completo. E, nesse ser que aprendeu a viver na monotonia, restou uma marca nítida, quase cruel: o passado não acontece… quando não estamos presentes.
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