às
22:54
11 junho 2011
Dias estranhos
Postado por -
Renata F.
Um olhar perdido no céu, à procura de um sol nascente — de um novo dia, inquieto e perplexo, que se erguia com a falsa segurança de quem acredita saber caminhar. O mundo já não era o mesmo de antes, e talvez isso explicasse o tom assustado que os ventos carregavam.
Você já não era o mesmo: havia em si um desamparo silencioso, refletido em olhares vagos, atravessados por dúvidas, receios e anseios que se desenhavam em seu rosto à luz da noite. Eu, por minha vez, era o cansaço acumulado de tantas noites em claro, pensando na lua e nas estrelas que um dia foram minhas — ou que pensei que fossem. Em algum instante, a distração me ultrapassou, e foi assim que percebi: havia falhas no céu.
Por muito tempo, persegui algo que nunca existiu. Um milagre, talvez — embora nem mesmo essa palavra pareça suficiente. Fiz promessas ao infinito céu acima de mim. Carreguei o peso de uma jornada sem retorno — sem prêmios, sem glórias, sem sequer a promessa de dias melhores ao final do caminho. E, ainda assim, houve momentos em que senti falta das minhas estrelas — aquelas que, um dia, me guiaram quando a bússola falhou e o instinto já não sabia para onde apontar. Mas, no fundo, a pergunta sempre foi outra: para onde elas realmente me levavam? E, mais difícil ainda — para onde eu queria ir?
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