08 junho 2011

Dias e noites


Vivo a vida que a manhã me oferece — a beleza leve que nasce com o sol, o sopro tranquilo que ilumina o início de tudo. Há uma promessa silenciosa no dia, como se cada raio de luz trouxesse consigo a chance de recomeçar. Mas nem mesmo os pássaros ignoram quando, ao longe, nuvens cinzentas começam a se formar no horizonte. Dizer que a vida é apenas bela seria mentir. Não é só a leveza que me habita, nem só a liberdade que sinto ao existir, pensar e agir. Há dias em que caminho sem culpa, quase sem dor — e outros em que a própria ausência de sentido pesa mais que qualquer ferida. Não sou feita apenas de sorrisos. A felicidade não me atravessa o tempo inteiro. Às vezes, o que resta é uma paz breve, delicada, que me mostra a vida como ela é — imperfeita, transitória, humana. Mas, então, por que chove nos dias de céu que passam? Por que me perco quando tudo parecia claro? Em que instante a paz se despediu de mim? A minha paz foi embora com a noite e não voltou com o dia claro.

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