01 outubro 2010

Desafiando o amor


Estavam felizes — de um jeito que nunca haviam experimentado. Era um sentimento raro, quase irreal na sua pureza. Um amor feito de presença e saudade ao mesmo tempo, de cuidado sem medida, de um tempo que parecia não existir quando estavam juntos.

Mas não era só leveza. Havia também os desencontros. Eles queriam a mesma coisa — isso sempre foi claro —, mas, por algum motivo que nunca souberam nomear, não conseguiam chegar lá juntos. Entre risos e promessas, surgiam lágrimas. E, mesmo nas discórdias, o amor continuava ali, firme, pulsando no peito de ambos, como se se recusasse a ir embora.

Era bonito e doloroso. Algo os afastava — não o sentimento, mas a possibilidade de vivê-lo plenamente. Como se existisse uma barreira invisível, persistente, que não cedia, não importava o quanto tentassem. O coração já não cabia dentro deles. Parecia prestes a transbordar, a se partir, só para liberar tudo aquilo que insistia em ficar preso: um amor doce… e, ao mesmo tempo, amargo.

Ainda assim, havia prazer em senti-lo. Em reconhecê-lo. Em saber que, apesar de tudo, era verdadeiro. Mas verdade, às vezes, não basta. Eles não foram fortes o suficiente para vencer o que quer que fosse que os colocava à prova. E, em vez de lutar contra, deixaram-se levar. Amaram como se o amanhã não existisse — com urgência, intensidade, entrega.

E, realmente, não existiu mesmo.

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