03 outubro 2010

Florescendo

Era pequena e clara, de uma doçura que lembrava mel recém-colhido. Uma beleza que amanheceu sem pedir licença — e, ao nascer, já contrariava o mundo. Espreguiçou-se com inocência, como quem descobre o próprio corpo pela primeira vez, e despertou.

Havia um perfume nela — não suave, mas envolvente. Quase proibido. Tinha algo de tóxico, de viciante, como se quem se aproximasse já não soubesse voltar.

Era delicada, sim, mas não fraca. Havia uma coragem silenciosa em sua fragilidade, uma espécie de confiança ingênua no desconhecido. Não sabia o que existia além, mas mesmo assim veio — leve, discreta, fiel ao que era. Como semente, já carregava graça. Nos primeiros ramos, parecia reconhecer o mundo, como se já pertencesse a ele antes mesmo de florescer. E então, floresceu.

Uma flor que parecia pedir amor — não por carência, mas por instinto. Tímida, genuína, inteira. Sua beleza não gritava; convidava. E, ainda assim, era impossível ignorá-la. Arrancava suspiros até daqueles que já haviam desistido de sentir. Não tinha espinhos. Não precisava. Era apenas isso — uma flor. E, ainda assim, era tudo. Uma linda flor, tímida e genuína, de uma beleza que arrancou suspiros até dos mais desapaixonados pela vida.


- Procuro pelo amor. Você saberia onde posso encontrá-lo?

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