18 outubro 2010

De olhos vendados

E se eu fosse cega?


               Nunca me imaginei sem nada. Perder tudo, inclusive a sanidade. Perder o sol, o mar, as estrelas. Os sorrisos, ah, os sorrisos, em rostos tão conhecidos... E morrer.

               Fechei os olhos. Lembrei de todas as coisas que deixaria. Coisas que não faziam diferença alguma, repentinamente, senti saudades. As mais importantes, eu nem notei. Fiquei sufocada, perdi meus sentidos. Eu senti, pela primeira vez, o que é medo. Horror de meus olhos nunca mais abrirem. Abri-os na mesma hora. Fiquei com medo de fechá-los de novo e ficar cega pra sempre.
           Ainda muito perco de olhos abertos. Ainda perco a visão. Nos momentos de fragilidade e de agonia, fica tudo, primeiramente, turvo. Depois escurece, fica preto. Só sinto meu corpo e o vento soprando. Começo a dar valor à minha visão, que eu nunca notei. Mas, em algum ponto crítico, eu perco todo esse valor de novo, e começa tudo outra vez.



"Acho que perdi a sanidade. Tenho saudade dos contos de fada..."

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