17 outubro 2010

Fogos de artifício

Sim, ele estava sorrindo. Um sorriso aberto, quase desajeitado — desses que escapam antes que a gente consiga disfarçar. Ele sentia os próprios músculos do rosto como há muito não sentia, surpreso consigo mesmo, como se tivesse esquecido que ainda era capaz disso. Mas não havia tempo para se analisar.

Ela ocupava tudo.

Nunca tinha visto alguém assim. Não era só a beleza — embora ela fosse inegável, quase desconcertante. Era algo além, algo que não cabia em explicação simples. Um brilho, um jeito, uma presença que puxava o olhar e não devolvia.

Quando ela sorria, era como fogos de artifício: algo que explodia de repente, iluminava tudo ao redor e, por um instante, fazia o mundo inteiro parar só para assistir.

Ele tentou reparar nos detalhes, como se pudesse, assim, entendê-la melhor. Os cabelos — longos, lisos, organizados demais para parecerem perfeitos, e ainda assim caindo com uma leve desordem sobre os ombros. Os olhos — profundos, indecifráveis. Ele não conseguia dizer a cor, e isso o intrigava mais do que qualquer certeza.


Mas era o sorriso o que o prendia. Havia nele uma leveza rara, quase impossível. Como se aquela boca nunca tivesse aprendido o peso da dor. Como se fosse feita apenas de ternura e começo. Um sorriso que não só iluminava — aquecia.

E, sem perceber, ele se aqueceu ali. Como se, naquele instante, tudo o que havia nele — o cansaço, as ausências, os silêncios — encontrasse descanso. Ele não sabia explicar. Só sabia que, ao olhar para ela, algo dentro dele acendia. E, por um momento, teve a estranha sensação de que não era ele quem a observava... mas ela quem, em silêncio, reacendia a luz do mundo inteiro.

"And you have the most amazing smile"
(The Maine)

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