17 outubro 2010

Onde o sol nasceu quadrado

                 Eu estava lá para ver o sol nascer quando soube que você já estava em casa. Pegou todas as suas roupas e levou-as com você. Escreveu um bilhete de desculpas e mais algumas outras coisas de despedida cheios de melancolia. Clichês que eu já conhecia bem. Um abraço ou um beijo de despedida? Fiquei esperando sentada naquela pedra, lá na praia.
                O mar estava um pouco agitado, enquanto observava o clarão do céu mudar para um laranja-fogo. Imaginava onde estaria você. Sentia saudades? Não, é claro que não. Estaria arrependido? Muito provavelmente não. Perguntas que eu já sabia a resposta, mas ainda fazia questão de me perguntar. Pelo momento, eu estava feliz. Pensativa, cautelosa, com um leve vestígio de paz, mas ainda respirava. Já não me importei mais com o armário vazio, nem com as fotos de nós dois fora dos porta-retratos ou até mesmo o seu lado vazio da cama, antes bagunçado, agora impecável, como no início. Tudo seria preenchido novamente um dia.

 

O dia amanheceu e o mar estava incrivelmente quieto de novo...

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