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17:10

26 setembro 2010
Acima das nuvens
Postado por -
Renata F.

Por entre as nuvens, carrego um coração ferido — ainda assim insistente, batendo por uma esperança: a de libertar sentimentos e dores que há tanto tempo pedem ar. Quero que sejam livres. Livres como os pássaros que riscam o céu sem pedir direção. Como o vento que chega de repente, toca o rosto e, por um instante, acalma tudo o que estava inquieto.
No horizonte, o sol se despede devagar, escorrendo pelas montanhas como um suspiro quente que encontra descanso. E, nesse movimento lento, nasce a promessa de uma madrugada serena — sem medos, sem sombras, sem aquilo que pesa quando o silêncio cresce demais.
Mas o céu guarda seus mistérios. Há coisas ali que só os pássaros parecem compreender. Uma imensidão que acolhe tudo e, ao mesmo tempo, esconde. Porque, lá do alto, não se vê o caos que vive dentro de quem observa.
A dor não alcança as nuvens. Ou talvez apenas não se mostre. Ainda assim, o céu nunca passa despercebido. Ele se impõe, muda, respira, se transforma — e continua sendo visto, sentido, reconhecido. Talvez porque carregue em si algo familiar. Talvez porque o céu reflete o azul da cor do mar. O mesmo azul profundo e inquieto — como tudo aquilo que guardamos e, mesmo em silêncio, nunca deixa de existir.
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