25 novembro 2010

Por uma memória

Saudade. Era a única palavra capaz de traduzir o que restou daquele tempo — de uma amizade que um dia foi abrigo, feita de companheirismo, sinceridade e, sobretudo, amor. O que antes era presença viva, naquele instante se reduzia a distância, dor e silêncio. E saudade. Quanta saudade.

Saudade do tempo em que eu podia chamá-la de amiga — sem hesitar, sem medo — essa palavra tão inteira, agora entregue a uma desconhecida. Dela, que acolhia meus medos e meus suspiros; que me abraçava com um afeto tão leve que fazia tudo parecer suficiente. Com ela, eu não estava só. Eu tinha alguém no mundo.

“Amigas para sempre”, dizíamos. Mas o “para sempre” foi breve demais. Ainda assim, os nossos momentos permaneceram: as tardes desperdiçadas juntas, revelando segredos bobos e profundos; as risadas soltas, os choros partilhados, as brigas seguidas de perdão. Descobrimos o mundo lado a lado — e isso nunca deixou de existir em mim.

Eu pensei que já tinha superado. Que o tempo havia levado consigo tudo o que doía. Mas estava enganada: o sentimento não foi embora, apenas se recolheu, adormecido. Bastou um encontro de olhares — tão familiares e, ao mesmo tempo, tão distantes — para que tudo voltasse. As memórias vieram como chuva forte. E, com elas, a saudade, inteira outra vez.
 







Quanto tempo havia passado? Já não sabia dizer. Talvez, um dia, eu consiga recontar essa história — e dar a ela o final feliz que sempre mereceu.

1 recados:

Unknown disse...

Nossa muito belo esse teu artigo e aquele que faz te lembrar do seu melhor amigo aquele de infancia que pela vida se distanciou mas nunca se separou de voce, faltei chorar agora.

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