Muitas noites passam sem que eu consiga entender o que acontece dentro de mim. Uma angústia que se veste de tristeza, talvez. Um amor que existe, mas que nunca encontra calor suficiente para permanecer. A solidão é imensa e ela se estende pelos minutos intermináveis de um dia cansativo, ocupando espaços que antes eu nem sabia que existiam. Posso sorrir, mas as lágrimas caem mesmo assim, silenciosas, e eu não as enxugo. Não consigo. Há algo nelas que é maior do que eu mesma, como se carregassem tudo aquilo que não sou capaz de dizer em voz alta. É estranho perceber como a solidão consegue tocar cada parte da vida, como se fosse uma ironia silenciosa do destino. Existem dias em que a vida simplesmente acontece ao meu redor e eu apenas sigo, quase sem sentir, como se estivesse atravessando o tempo mais do que realmente vivendo nele.
A minha companhia... por mais que eu tente me convencer do contrário, nem sempre se faz suficiente. Mas talvez eu ainda esteja aprendendo a habitar a mim mesma. A reconhecer que, mesmo em meio à solidão, ainda existe dentro de mim uma vida que insiste em permanecer. Uma pequena chama que, apesar de tudo, ainda não se apagou.
E talvez seja essa chama - frágil, mas persistente - que me faça continuar atravessando as noites, esperando que algum dia elas se tornem um pouco menos solitárias.

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