14 setembro 2011

Guerra e agonia

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Vem de dentro para fora. Vem do alto, do além — de um lugar que não enxergo bem. E, de tempos em tempos, retorna como quem insiste em me fazer esquecer a verdade, só para me fazer sentir tudo outra vez. Sentir o que não quero, o que talvez nem devesse sentir. Ainda assim, não peço perdão pelo que fiz, nem pelo que disse. Agradeço à coragem que me atravessou — e à presença de quem esteve ali para ouvir. Já é tarde para nomear o que foi: se senti, se chorei… Mas não posso negar — doeu. Doeu no fundo, onde o silêncio pesa. Foram noites monótonas e, paradoxalmente, intensas — tão vivas que me transbordaram. Ventos vieram, trazendo sonhos que eu quis esquecer, mas que insistiram em permanecer. Não sei dizer se vivi ou se sonhei. Talvez tenha sido tudo ao mesmo tempo. O que passou… passou. De uma vez só, rápido demais — como um suspiro que se perde antes de ser compreendido. Cada palavra, cada distância — uma guerra. Uma agonia.

Imenso mar

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Para que soe como prece, eu te peço perdão.
Peço-te um beijo — não para começar, mas para encerrar o que ainda insiste em amar.
Peço-te um abraço — não de abrigo, mas de despedida, para selar o fim daquilo que chamei de amizade.

Diante do calor dos teus olhos, imploro pelo frio.
No aconchego dos teus braços, desejo o silêncio profundo de um poço onde tudo possa enfim descansar.

Desafiei a minha vida junto à tua — e, com ela, os sentimentos que guardei.
Meu coração ainda se mantém de pé, resistente… mas já não suporta tanto peso, tanta dor.

Então, suplico:
retira de mim o teu amor.
Retira de mim… você.

12 setembro 2011

Paz

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Ouço um chiado — alguém chama meu nome. Há algo estranho na forma de me chamar — uma entonação exaltada, quase estranha ao que estou acostumada. A voz que me chama não é assim. É baixa, abafada, distante… por vezes amarga.

Espero — ainda espero — por aquele sorriso escondido no som, por um riso leve que me alcance ao pronunciar meu nome. Um tom amoroso, único, capaz de me reconhecer inteira. Mas ele não vem. Nunca vem. Perde-se em algum lugar do infinito, dissolvido num rosto que não reconhece emoção.

E então me pergunto: será que nunca há de chegar quem me faça sentir diferente? Quem me desarme só ao dizer meu nome, quem me desfaça em silêncio, quem me enlouqueça no simples ato de me chamar?

Ah, que Deus o traga antes que eu me esqueça do que é felicidade. Porque em mim ainda habita a paz que procuro — a paz dos meus amanheceres, a paz de amar, a paz de sorrir sem esforço.

Eu só preciso… de paz.
 

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