01 setembro 2020

As noites que moram em mim

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Muitas noites passam sem que eu consiga entender o que acontece dentro de mim. Uma angústia que se veste de tristeza, talvez. Um amor que existe, mas que nunca encontra calor suficiente para permanecer. A solidão é imensa e ela se estende pelos minutos intermináveis de um dia cansativo, ocupando espaços que antes eu nem sabia que existiam. Posso sorrir, mas as lágrimas caem mesmo assim, silenciosas, e eu não as enxugo. Não consigo. Há algo nelas que é maior do que eu mesma, como se carregassem tudo aquilo que não sou capaz de dizer em voz alta. É estranho perceber como a solidão consegue tocar cada parte da vida, como se fosse uma ironia silenciosa do destino. Existem dias em que a vida simplesmente acontece ao meu redor e eu apenas sigo, quase sem sentir, como se estivesse atravessando o tempo mais do que realmente vivendo nele.




A minha companhia... por mais que eu tente me convencer do contrário, nem sempre se faz suficiente. Mas talvez eu ainda esteja aprendendo a habitar a mim mesma. A reconhecer que, mesmo em meio à solidão, ainda existe dentro de mim uma vida que insiste em permanecer. Uma pequena chama que, apesar de tudo, ainda não se apagou.

E talvez seja essa chama - frágil, mas persistente - que me faça continuar atravessando as noites, esperando que algum dia elas se tornem um pouco menos solitárias.

12 junho 2020

Curva da vida

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É difícil não imaginar. Não imaginar como seria a vida ao seu lado, com todos os seus altos e baixos, com todos os sentimentos incansáveis que nós carregamos. É difícil não imaginar que a vida poderia se abrir como um jorro repentino de alegria, em um simples piscar de olhos. Difícil também é pensar que esse amor que me corrói por dentro precise existir disfarçado de outra coisa, apenas porque a vida decidiu assim. 

A lembrança de nós dois é um furor volátil de sentimentos que me acompanha o tempo inteiro, como se estivesse sempre à espreita dentro de mim. É você - apenas você. Uma canção de amor que um dia eu compreendi. Uma sombra suave da noite que, ainda assim, me fez sorrir. Um vento intenso, tão intenso, que me ensinou a voar. Não há como escapar da marca que é amar você.

Às vezes, no meio do dia, me pego imaginando o que ainda existiria entre nós se tudo tivesse seguido o seu curso. Penso que a vida, de algum modo, se encarregou de te afastar de mim, mas meu coração não entendeu. A gente faz coisas que nem nós mesmos entendemos. Às vezes é um momento ruim, um desses que bagunçam completamente a cabeça e tiram tudo do lugar. E depois é difícil voltar ao que éramos, por mais que a gente queira. Eu não estava no meu devido lugar. Não conseguia voltar para mim mesmo. Você precisava me entender para que pudesse entender o que aconteceu conosco.

Foi nesse instante que eu te perdi. Te procurei tanto na vida, para justamente te perder quando finalmente te tinha. Procurei você pelas ruas vazias da existência, com a vontade de te proteger de tudo - e, nessa tentativa, acabei me desprotegendo. Distraindo-me de mim. Despedaçando-me aos poucos. E é assim que sigo vivendo agora: revisitando cada pedaço do nosso caminho, sem descanso, tentando descobrir em qual curva da vida eu te perdi. Ou talvez em qual momento me perdi tentando te alcançar.

A vida não volta atrás. Ela continua andando, mesmo quando a gente para.

E agora ela segue em frente.

Sem você.

E ainda assim…
é difícil imaginar como é a vida sem você.

 

(Re)inventando © 2010

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