16 setembro 2014

Ruas tortas

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Chega uma hora da vida em que já não sabemos mais o que fazer com tanto descaso. Não sabemos onde guardar aquilo que nos atravessa, nem como nomear o cansaço de continuar sentindo quando o mundo parece não se importar.

É como caminhar por uma pequena imensidão de ruas tortas que existem dentro da gente - essa cidade silenciosa chamada alma. Ali dentro moram sentimentos refugiados, lembranças que não encontraram outro lugar para ficar, pedaços de esperança que ainda resistem quando a vontade de desistir chega.

E também o amor.

Um amor quebrado.

Quebrado, sim — por mãos humanas. Mãos que um dia foram abrigo. Mãos que, antes de tudo, eram amigas. As mesmas mãos que um dia tocaram com cuidado são, às vezes, as que deixam as rachaduras mais profundas. E o que resta depois disso é aprender a viver entre os fragmentos. Recolher pedaços de si mesmo sem saber exatamente como colá-los de volta. Porque alguns amores, quando se quebram, não desaparecem.

Eles apenas mudam de forma.

Virando silêncio.
Virando memória.
Virando aquela dor quieta que, mesmo com o tempo, ainda sabe exatamente onde morar.



15 setembro 2014

Essência

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Para quê se preocupar…
se tudo o que me faz viva é querer amar?

Para quê se importar…
se tudo o que meu coração pede
é um gesto simples de carinho?

Para quê ligar…
se às vezes basta uma voz
para aquecer o inverno que mora no peito?

Para quê correr atrás…
se o que me move
é apenas a vontade silenciosa de ser feliz?

Para quê, então?…

Talvez para me lembrar
que, apesar de tudo,
apesar das ausências,
apesar das reticências —

eu ainda sei sentir.

E enquanto eu sentir,
ainda há vida em mim.

 

(Re)inventando © 2010

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