28 abril 2012

Explosão

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Calor guardado no fundo do peito,
um sopro em forma de emoção;
sentir sem tocar com as próprias mãos
e, ainda assim, ouvir o coração.

No brilho daqueles olhos
há um instante de explosão;
cada suspiro, cada sussurro
acende estrelas na escuridão.

E quem sou eu para negar?
Quem sou eu para fugir?
Sou filha do próprio amor,
e ao coração só me resta seguir.
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Mas ainda existem muitos 'mas' por aí.
(Renata F.)

Ressaca

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É imperfeito, imaturo, inigualável, inalcançável. É inconstante, interessante, surpreendente. É incontrolável, impuro; é ameaça e sobrevivência. Imprevisível, exaustivo, incansável, inseguro. É uma queda no abismo, é o fundo do poço, é o baú de ouro do final do arco-íris. É um simples artefato de emoção, que rega e regra todo e qualquer pensamento que possa existir. Por ela, escoa todos os sentidos, impregnando cada nervo, apertando os instintos e abalando o coração. Ela é a ressaca, repleta de incertezas e inseguranças, que atinge forte a cabeça no dia seguinte. É para chorar, para morrer, para viver. E não é páreo para a escolha. Acontece. Cada visão, cada odor, cada suspiro desperta algo tão válido quanto inadmissível, pontos distantes um do outro que se unem como um só. Cada fato é sempre um fato. É intrínseco, é pecaminoso, é limpo, é vivo e cálido. É bagunça, desespero, amor, tristeza, felicidade, desprezo, carinho, suporte, perigo. É verdade e mentira, é incerto, é preciso. É mundo, é mente.

14 abril 2012

Floresta negra

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“Não existe sentimento mais complicado que esse. Complicado de sentir, complicado de entender. São como os dias em que o sol não nasce. São dias cinzas, sentimentais e sem valor. Há pedras no caminho, abismos, poços sem fim e a escuridão cega os olhos. Longos esforços nada valem, nada rende, tudo se esgota rapidamente. Dentro pesa tudo; pesa cada gota da chuva, pesa cada sorriso. Pesa também os olhos lacrimosos e negros que olham do espelho. Lá fora, ramos sem vida, flores sem brilho. Um sentimento essencialmente dominante, que não perdoa nem mesmo o mais leve suspiro de vida. O amor dói; a alma, antes tão límpida, tão branca, corrói; o sorriso é tão falso quanto querem que o seja, apenas para mostrar que está tudo bem, quando não está. Não existem vontades; todas elas sumiram, e levaram junto tudo que puderam. A empolgação sumiu, não existe mais o frio na barriga que costumava existir ao esperar por algo que traria uma alegria. Tem horas que até o vento vai embora; desvia-se desse muro frio e repugnante e permanece longe por tempos. Então, é constante o medo de ser feliz. Toda vez que aparece, é inevitável. Algo sempre tem que acontecer para mexer com ela. E quando não acontece, a consciência se encarrega disso. A palavra certa é dependência. Felicidade não muda ninguém; ela apenas ilude. É sempre um banco vazio na praça esperando alguém chegar”.

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07 abril 2012

Ar

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                Apertado e cada vez mais rarefeito. O corpo estranha, a mente vacila. Está cada vez mais comprimido e estarei mentindo ao afirmar que, um dia, não vai desaparecer. Vai desaparecer - e vai tudo de uma vez. Existem coisas que só percebemos quando começam a faltar.
 

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