17 março 2012

Suspiros de uma noite de verão

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Me diz o que em mim floresce em riso,
o que me acende em chama e calor,
o que me faz amar sem aviso,
tão fundo, tão inteiro, esse amor.

Me diz de onde nasce essa urgência,
essa febre mansa que não tem fim,
essa doce e estranha insistência
de te querer tão perto de mim.

Do lado oculto da alma inquieta,
há um aperto que insiste em ficar,
uma vírgula inquieta, incompleta,
que só a saudade sabe explicar.

E entre suspiros que o tempo carrega,
entre auroras que vêm e se vão,
há um abraço que nunca se entrega,
um beijo guardado na palma da mão —
e você.

Um breve amor

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— Apenas quero um pedaço desse amor.
— Para despedaçá-lo?
— Para saber que um dia já pude tê-lo.
— E depois?
— Depois eu guardo os cacos, como quem coleciona lembranças.
— Isso não vai doer?
— Vai. Mas há dores que a gente escolhe sentir, só para não esquecer que esteve vivo.
— E se ele nunca for inteiro para você?
— Então que seja breve, mas verdadeiro.

Pretérito perfeito

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De tempos longos,
de tempos breves,
tempos modernos
de vitórias em ruínas.

Há os tempos que ainda aprendem a existir,
os que insistem em ficar,
os que nos movem em silêncio,
os que nos atravessam sem avisar.

Do lado mais fundo de nós,
nasce uma angústia quase egoísta,
que o passado já reconheceu —
e, ainda assim, nos sorriu.

E na alvorada que se refaz,
explode o amarelo do sol,
tingindo de ouro as lembranças
das nossas vidas em pretérito perfeito.
 

(Re)inventando © 2010

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